Um corredor estreito, que deveria servir de passagem, entupido de macas. Pacientes há dias esperando por um leito, alguns obrigados a aguardar sentados por falta de um lugar para deitar. E familiares revoltados com o cenário de superlotação e descaso. Foi esta a situação encontrada na manhã de segunda-feira (9) na emergência geral do Hospital Agamenon Magalhães (HAM), em Casa Amarela, Zona Norte do Recife. O setor de urgências realiza, ao todo, mais de 5 mil atendimentos por mês. A denúncia foi veiculada no Bom Dia Pernambuco desta terça-feira (10).
Os problemas começam ainda na calçada. Um esgoto a céu aberto espalha mau cheiro logo na entrada do estacionamento. A água suja jorra metros adiante. No pátio, dezenas de pessoas acampadas, entre pacientes vindos do interior e parentes de internados. Eles ficam deitados em bancos e no chão.
Mas nada se compara ao caos na emergência. Na área amarela, é difícil se locomover pelo corredor. São mais de 10 macas espalhadas, de um lado e do outro, algumas colocadas no chão. No setor laranja, o mesmo quadro. Os acompanhantes eram obrigados a ficar em cadeiras. “Está frio demais aqui. Eu só falto morrer nessa cadeira aqui. É horrível”, disse a moradora de Vicência, na Zona da Mata, a 87 km do Recife, embrulhada num cobertor e sentada há três dias ao lado irmão doente.
Diante da superlotação, salas como a de nebulização também se transformam em estacionamento de macas. Uma mulher, há dias, dorme nos bancos forrados com lençol. E é do lado dela que chama atenção o choro incontido da aposentada Euridice Vidal de Melo, 67 anos. A idosa estava com um quadro de infecção urinária e chegou às 5h, transferida da Policlínica Barros Lima. Diabética e hipertensa, estava há mais de cinco horas esperando por uma maca. “Desde que eu cheguei não deram nenhum medicamento a mim ainda. Isso é um maltrato”, denunciava. A educadora física Juliana Ferreira, filha de Euridice, ainda tentou colocar a mãe numa cama desocupada numa sala de funcionários, mas sem sucesso. “Geralmente, é assim. Mas hoje está um pouco pior, está no máximo da lotação”, admitiu uma servidora em conversa com ela, gravada pela reportagem.
O acompanhante Clécio Fonseca aguardava há três dias um leito para o avô de 76 anos, que estava na emergência com um quadro de infecção. “Disseram que mandariam ele para um lugar onde tem vaga. Chegamos aqui e nem maca tinha. Ele passou um tempão numa cadeira de rodas”, reclamou o neto, que ouviu uma negativa ao solicitar a transferência do aposentado Damião Manoel da Silva. “Alegaram, entre outras coisas, que não tinha ambulância para transferir.” Bem na frente da emergência, havia meia dúzia de veículos estacionados.
A diretora do Hospital Agamenon Magalhães, Cláudia Miranda, reconheceu a superlotação e enumerou justificativas. Segundo ela, a segunda-feira é um dia atípico, por conta da demanda acumulada do fim de semana. Além disso, ela argumentou que 48% dos casos que chegam espontaneamente são de menor complexidade, ou seja, poderiam ser resolvidos em outros serviços, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Nós somos uma grande emergência clínica que atende muitos pacientes que vêm regulados pela Central de Leitos, mas que também atende uma demanda espontânea significativa”, declarou.
Fonte: G1



