A transferência de pacientes a Comunidade Terapêutica e Olinda (CTO) para a rede substituta de saúde mental a prefeitura da cidade só acontecerá após aval do MPPE não há prazo para a desativação do serviço do CTO. ara isso, o município terá a rede fiscalizada por técnicos de saúde da instituição, que vão iniciar se ela já está apta a dar continuidade ao tratamento os doentes. Essa foi a promessa da promotora de Justiça de Saúde em Olinda, Mais a elo, ontem, depois da audiência pública com os familiares dos pacientes que se tratam na clínica. Na avaliação dela, o município ainda não tem condições e absorver essas pessoas. Por isso a desativação do serviço, que na previsão da prefeitura acontecerá no fim deste mês, deve ser protelada. “Isso só ai acontecer se a rede do município estiver pronta. Nosso objetivo é acompanhar e fiscalizar essa transição para que esses pacientes não fiquem desassistidos”, reforçou Maísa Melo. Segundo ela, Olinda se comprometeu a entregar até o fim e março um Centro de Atendimento Psicossocial (CAPs) 24h e mais três residências terapêuticas, além de leitos de psiquiatria em hospitais gerais. A promotora destacou que a cidade já teria se comprometido a entregar a rede em dezembro, o que não aconteceu. A secretária de Saúde de Olinda, Thereza Miranda, afirma que a rede esta pronta, contudo só irá funcionar quando forem desativados os leitos do CTO. “Enquanto eu tenho um modelo, não tem razão de eu ter outro”, justificou. As incertezas a respeito da continuidade de atendimento dos pacientes da Comunidade Terapêutica de Olinda têm tirado o sono das famílias dos pacientes. “No CTO há toda uma estrutura e cuidado. Como é que em poucos meses querem retirá-los de lá”, disse a artesã Maria do Socorro Alves. Ela teme que, fora do CTO, o irmão que está internado há três anos encontre uma rede desestruturada e que cause mais prejuízos à doença dele. A preocupação é a mesma do psiquiatra e diretor médico da clínica, Feliciano Abdon. “Sabemos que Olinda não tem uma rede de assistência psiquiátrica que possa atender bem a esses pacientes, por isso denunciamos o caso ao Ministério Público. Essa ressocialização do doente que há longo tempo esta internado precisa ter muito critério e não abruptamente”, alertou. Ele contou que o plano de desinternação, acordado com a prefeitura, prevê uma transição de 18 meses, prazo que terminará apenas em outubro deste ano.
Fonte: Folha de Pernambuco



