Há 10 anos, três meses e quatro dias era criada a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), acalentada como um dos pilares do desenvolvimento econômico pernambucano. Hoje, o que se tem às margens da BR-101, em Goiana, é uma companhia ainda em montagem, que se divide entre o esforço da área técnica em se tornar uma referência sul-americana na fabricação de hemoderivados, e os entraves políticos e financeiros que já fizeram a obra atrasar em pelo menos cinco anos.
Estratégica para o Sistema Único de Saúde (SUS), a Hemobrás tem como objetivo produzir medicamentos a partir do plasma sanguíneo. Desde 2001 o governo federal previa a implantação de uma fábrica assim. Mas foi depois da “Máfia dos Vampiros” – em que servidores públicos fraudavam licitações de derivados de sangue, naquele mesmo ano – que a indústria foi oficializada. No entanto, desde então, a empresa não teve qualquer produção própria. A estrutura existente hoje, que já consumiu R$ 511 milhões em investimentos, é o suficiente somente para receber e distribuir o plasma vindo de diversas partes do País para ser exportado para a França. De lá, volta em forma de medicamentos a um custo menor para o governo brasileiro.
O coração da fábrica da Hemobrás se divide seis blocos – os demais são para administração, logística e pesquisa. Segundo explicações da própria Hemobrás, o primeiro prazo de entrega era 2010. Era a área da câmara fria, que só começou as atividades em 2012. Para os demais, a previsão era 2013. Questões de “mudanças tecnológicas” e no consórcio que executa as obras fizeram o novo prazo ser esticado até 2016. Entre esses percalços, estão problemas graves, como as denúncias do Tribunal de Contas da União (TCU), entre elas erros de projeto que teriam representado um prejuízo de quase R$ 7 milhões.
Para produzir o primeiro medicamento, ainda são necessários mais dois anos, o que empurra a data para 2018. Funcionamento pleno, só em 2020. Até agora, o orçamento total inicial de R$ 540 milhões subiu 57% e está estimado em R$ 850 milhões.
Fonte: Jornal do Commercio



