Artigo – A parábola do hospital e do Sistema Prisional

Nenhuma explicação é necessária quando ouvimos ou lemos a palavra hospital. Somos imediatamente levados a convicção de que quem se socorre de um hospital, tem necessidades de assistência médica. Temos certeza de que aqueles que ali estão trabalhando, tudo fazem para curar e ou livrar do óbito quando possível, mesmo os que estejam envolvidos coma criminalidade.

O profissional de medicina não olha a quem está cuidando senão com a visão de salvar lhe a vida, garantir sua integridade física, e fazer com que tal pessoa volte ao convívio familiar e societário. Quando falamos de sistema prisional, no caso brasileiro, onde não temos a pena de morte nem a prisão perpétua, a ÚNICA certeza que temos é a de que quemestá preso umdia vai ser solto. Absolutamente todos os que estão presos, e sobreviverem, serão soltos. Nossa atual situação de insegurança leva a sociedade a um sentimento de vingança contra quem está encarcerado. Este sentimento é retratado nas pesquisas e nas reportagens que são veiculadas tanto na forma escrita quanto na televisiva. Expressões do tipo “BANDIDO BOM É BANDIDO PRESO, E MELHOR AINDA MORTO”, estão cada vez mais sendo usadas.

A irresponsabilidade de alguns profissionais de imprensa, que usam destes argumentos para serem reconhecidos e ou louvados pela população, é tremenda e temida.  Tal qual quem procura um hospital, podemos afirmar que aqueles que estão nas unidades prisionais são os que precisam de um tratamento ético, moral e social. Estão em um hospital para cumprirem suas penas restritivas de liberdade, mas, também, para serem TRATADOS E DEVOLVIDOS A SOCIEDADE.  Esta não é a visão de parte dos que têm a obrigação de fazer tal tratamento. Recentemente, participei de reunião com autoridades onde ouvi duas expressões que me revoltaram. A primeira se referiu aos encarcerados como se todos fossem bandidos, e a segunda, a de que quem está recolhido a Penitenciária Barreto Campelo seria a escória de Pernambuco. Aí temos de forma explícita de como os presos são tratados e como serão devolvidos a sociedade. O Estado provoca a insegurança criando e ou piorando as pessoas que passam pelo sistema prisional, para depois devolvê-los a sociedade. Com tristeza vemos aqueles que deveriam participar da ressocialização do preso, com uma visão pequena e infeliz. Certamente que quem pensa desta forma não contribui para a melhoria da nossa segurança.

Fonte: Folha de Pernambuco

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