Os casos de dengue no Brasil cresceram 162% neste início de ano se comparado ao mesmo período de 2014. Os dados revelados ontem pelo Ministério da Saúde mostram a situação de surto e acendem o alerta das autoridades para evitar a epidemia de 2013, considerada a pior da história, quando cerca de 1,5 milhão pessoas foram infectadas e 235 morreram.
O número de infectados nas primeiras nove semanas do ano, contabilizadas até 7 de março, foi 224.101, enquanto em 2014, a quantidade de doentes na mesma época foi de 85.401. “Não há apenas uma causa para este aumento. Houve uma associação de situações, como as alterações climáticas, com muito calor e pouca chuva, que aumentaram, por exemplo, o armazenamento de água em São Paulo e no Rio de Janeiro”, afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro.
Em todas as regiões houve aumento na quantidade de pessoas que contraíram dengue. A situação mais preocupante é no Sudeste. Nos quatro estados da região, os casos aumentaram cerca de quatro vezes, passando de 37.129 para 145.020 registros. Em São Paulo, o crescimento foi ainda mais significativo: saltou de 15.605 para 123.738 este ano — quase oito vezes mais. A quantidade de mortes na região também preocupa. Das 52 confirmadas no Brasil por causa da doença, 41 foram registradas no Sudeste.
Destas, 35 só em São Paulo. “Medidas simples que, às vezes, não são adotadas por falta de experiência no combate à doença, como a hidratação imediata, podem diminuir muito o número de óbitos.” No ano passado, em nível nacional, no mesmo período, o número de mortes foi maior: 76.
O ministério divulgou ainda o levantamento que, ao todo, 340 municípios foram estão em situação de risco para a dengue. Cuiabá (MT) é a única capital nesta situação, mas 18 apresentaram índice de alerta, entre elas, o Recife.
O infectologista e professor da faculdade do ABC Juvêncio Dualib acredita que o Brasil tem boas armas para evitar uma grande epidemia. “Coletivamente, a rede de saúde pode estar desarticulada, mas há grande experiência individual no combate”, afirmou.
Fonte: Diario de Pernambuco



