Viva Saúde é alvo de debate

Diante da delicada situação técnica e fiscal da Viva Saúde, com 32 mil vidas, a Defensoria Pública do Estado convocou ontem mais uma reunião para tratar da situação da operadora, que deve R$ 60 milhões a prestadores e tem deixado consumidores desassistidos. O clima ficou tenso junto ao advogado da Viva – que não enviou nenhum diretor – e à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Defensoria, consumidores, órgãos de defesa, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sindicato dos Hospitais de Pernambuco (Sindhospe) pedem uma reposta: a operadora tem condições de continuar no mercado?

“A situação é um tanto surrealista”, disparou o presidente do Sindhospe, Mardônio Quintas lembrando que atualmente usuários que precisam de atendimento em emergência têm somente dois hospitais na Região Metropolitana do Recife, Nossa Senhora do Ó e Memorial Guararapes. “É lamentável a leniência e a falta de interesse fiscalizatório da ANS”, reclamou Quintas, defendendo que a situação poderia ser controlada, por exemplo, caso fosse pedido certificados de débito trimestralmente. A Viva atualmente está sob direção técnica e fiscal pela ANS.

O presidente argumentou que é um absurdo os diretores indicados pela agência nesses casos de acompanhamento serem pagos pelas prestadoras. A defensora pública Cristina Sakaki, coordenadora do Fórum de Saúde Suplementar, disse-se “perplexa” ao tomar conhecimento dessa informação. “A situação da Viva é de falência, de absoluta desassistência. Só não vê quem não vai para a porta acompanhar”, acrescentou o presidente do Sindhospe.

O técnico da ANS presente na reunião, Rafael Vinhas, da sede, no Rio de Janeiro, defendeu os trabalhos sob a “ótica do diálogo para se chegar a um consenso”. E frisou que tudo está na lei. “A ANS vem monitorando a Viva de forma permanente, trabalhando em parceria com os diretores técnico e fiscal com verificações diárias. A operadora tem buscado medidas para sanear a situação”, informou, sem dar detalhes.

O advogado da Viva Victor Costa chegou a pedir desculpas aos consumidores presentes na reunião. “A Viva não pode ser colocada como demônio, está lutando e tentando junto aos hospitais atender melhor os pacientes”, declarou, lembrando que a empresa chegou a negociar com o Sindhospe o pagamento antecipado para que os hospitais voltassem a atender pela operadora. “Sendo credores, em vez de tentar ajudar, querem segregar”, reclamou.

Como principais fatores da dificuldade financeira da empresa o advogado citou o valor muito acima do mercado para colocação de órtese e próteses – suposta máfia, investigada pela Câmara -, onerando a Viva e os consumidores. Além da portabilidade de clientes de outras operadoras para a Viva, alavancando a sinistralidade, que chegou a ser duplicada, informou. “Hoje é economicamente impossível pagar R$ 60 milhões de uma só vez aos prestadores”, frisou. A Viva propõe o parcelamento dos débitos. Costa afirmou que está sendo negociada a volta do atendimento nos hospitais Albert Sabin e Jorge de Medeiros.

Fonte: Jornal do Commercio

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