A obesidade até bem pouco tempo representava 2% da causa de morte evitável, logo após o tabagismo. Pelo fato do crescimento em todo o planeta, com previsão de se tornar a primeira causa, haja vista as campanhas de combate ao fumo. Vários estudos tem mostrado o aspecto nefasto da obesidade e suas consequências. Notadamente, uma maior incidência de câncer como: tireóide, fígado, ovário e outros em relação a população não obesa, tem sido evidenciado.
Estudos recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que 52% da população brasileira está acima do peso e 30% são obesas. Nos Estados Unidos esse percentual atinge mais de 60% da população. Os custos da obesidade no mundo estima-se em R$ 2 bilhões no último ano.
O desequilíbrio entre a ingesta e a queima calórica gera a obesidade. Ao longo do tempo comprovou-se que o tratamento clínico para a obesidade mórbida não é eficaz. Um estudo sueco avaliou 4 mil pacientes e ratificou essa afirmação. Esse grupo foi dividido em dois, sendo que metade dos pacientes se submeteram a cirurgia bariátrica e a outra metade ao tratamento conservador. Após um ano, os pacientes de ambos os grupos haviam perdido peso. A avaliação refeita 3 anos depois, apontou a manutenção ou pouco ganho de peso para os pacientes operados e aumento de peso significativo dos pacientes que se submeteram ao tratamento clínico, comprovando a sua ineficiência.
A cirurgia para combate da obesidade não deve ser prática comum para se perder peso, É indicada quando o índice de massa corpórea (IMC) da pessoa é maior que 40kg/m2 ou maior que 35% com doenças associadas como: problemas cardiovasculares, depressão, hérnias, diabetes tipo II, dislipidemia ( alteração do colesterol), apnéia do sono, doenças articulares, doença do refluxo entre outras comorbidades. Pacientes com IMC mais baixo, entre 30 e 35 kg/m2, com diabetes tipo II, há evidências do beneficio que a operação tem trazido a estes pacientes.
No mundo inteiro o padrão ouro quando o assunto é cirurgia bariátrica e metabólica é a operação de Fobi Capella também conhecida como by pass gástrico, minimamente invasiva, já que é feita por videolaparoscopia, que possibilita rápida recuperação, menos incidência de infecções, vantagem estética, menor dor, controle do diabetes tipo II em aproximadamente 85% dos casos. A volta às atividade acontece em torno de 3 a 4 dias. Outra técnica bastante utilizada e com excelentes resultados é a Gastrectomia Vertical (Sleeve). No ano passado foram operados aproximadamente 80 mil pacientes no Brasil, estando esse número abaixo dos operados nos Estados Unidos, que foi em torno de 150 mil
Cerca de 70% dos pacientes que se submetem a cirurgia bariátrica são mulheres. O que pesa muito nessa supremacia feminina é a questão emocional, a baixa da autoestima acentuada nas mulheres por conta do excesso de peso. Após a cirurgia, que acarreta a perda de peso, a paciente redescobre a vaidade, sociabilidade e volta a uma vida normal. Para o sucesso de uma cirurgia bariátrica é preciso além do acompanhamento psicológico e nutricional, a conscientização do paciente que deverá fazer uma reeducação alimentar e adotá-la para toda a vida, assim como, a prática de atividades físicas regulares. Os ganhos em saúde e qualidade de vida são tão grandes que vale muito a pena essa adaptação à nova vida saudável.
Tem uma frase de Leslie Blungarten, cirurgião oncológico, “Se você não pode dar anos a vida, dê vida aos anos”, ou seja, oferte ao paciente com câncer, qualidade de vida, no tempo que lhe resta. O tratamento cirúrgico da obesidade severa, tem levado a um aumento da expectativa de vida, com qualidade, e reintegrando pacientes ao contexto social.
Fonte: Diario de Pernambuco



