Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Câncer. A cada ano 12 milhões de pessoas são diagnosticadas coma doença. O número de mortes chega a 8 milhões. Em meio aos números, a Organização Mundial de Saúde (OMS) faz um alerta: os riscos de desenvolver cânceres de cabeça, pescoço, esôfago, pâncreas, rins, cólon, reto, mama e endométrio (mulheres) e próstata (homens) aumentam 40% em quem tem sobrepeso ou é obeso. Um Índice de Massa Corporal (relação entre altura e peso) acima de 30 é considerado obesidade em um adulto. Entre 25 e 30 indica sobrepeso. O oncologista Bruno Pacheco explica que a relação entre obesidade e câncer está no acúmulo de gordura ocasionado pelo sobrepeso corporal. No caso dos homens, com exceção do câncer de próstata, não há relação direta, pelo fato de ser uma inflamação crônica no corpo. Já com as mulheres é diferente. “Têm algumas enzimas no corpo das mulheres que ficam transformando o pré-hormônio em hormônio. Quando há essa transformação, inicia-se o processo de incentivo ao crescimento celular. E ocorrem os canceres de mama e útero, por exemplo”, esclarece. Nesse caso, o estrona (pré hormônio) é transformado em estrógeno (hormônio), um dos principais hormônios produzidos pelo tecido gorduroso. Pacheco acrescentou que as pessoas magras, normalmente, não têm pré-disposição a ter câncer. “Não é comum ver essa transformação de hormônios. Elas não têm uma exposição tão grande como pacientes com sobrepeso e obesos”, disse. Para o também oncologista Rogério Brandão, mais de 60% dos cânceres de mama, seja em homens ou nas mulheres, têm algum tipo de dependência hormonal. “As moléculas pró-inflamatórias produzidas nos acúmulos de tecido adiposo criam um meio fértil para a multiplicação celular”, enfatizou. Diagnosticado com câncer de mama há aproximadamente três anos, o aposentado José Rodrigues Bezerra, 85 anos, percebeu que o peito esquerdo estava com um nódulo. Feitos os exames e comprovada a doença, o médico fez diversas recomendações. Além do remédio para bloquear os hormônios, uma alimentação balanceada. “Queria poder fazer algum exercício, mas não posso por causa das minhas limitações”, contou Bezerra, que tem 1,65 e pesa mais de 100 quilos. HÁBITOS Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de Pernambuco, Maria Amazonas alerta que o sobrepeso deve ser combatido com mudança nos hábitos alimentares. Para começar, evitar produtos industrializados e fazer exercício físico. “A mudança na alimentação leva a perda de peso. Mas, sozinha não é suficiente. É necessário manter atividade física periódica para conseguir sair da obesidade,” explicou. Além do câncer, a obesidade predispõe o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas como diabetes tipo 2.
Fonte: Folha de Pernambuco



