A absolvição do policial que matou o jovem negro Eric Garner desencadeou um movimento por parte dos estudantes de medicina. Eles se interrogavam o que poderia ser feito em resposta ao que foi considerado uma grande injustiça. O movimento foi denominado “Problema da Vida do Negro nos Estados Unidos”. A adesão ocorreu não só por parte dos profissionais médicos, mas também pelas várias equipes de saúde. A grande interrogação é o que se fazer para além de tratar da melhor maneira a saúde dos negros e exercer ações de combate ao racismo. As autoridades de saúde do Estado de Nova York afirmam que os profissionais devem ter uma forte obrigação de encorajar o diálogo crítico e também promover ações contra a discriminação. Os africanos descendentes continuam tendo uma assistência à saúde muito inferior aos outros cidadãos. Existe um maior número de pretos mortos por atos violentos, porém o percentual maior do que 50% de mortalidade prematura entre os negros não ocorre só por conta da violência. A morte também é mais prevalente e prematura por doenças infecciosas, A saúde do negro nos Estados Unidos cardiovasculares e câncer na população de pele escura. É bem verdade que as diferenças de sobrevida entre pretos e brancos têm diminuído, porém ainda são significativas. A mulher negra dos Estados Unidos tem dez vezes mais chances de morrer durante o parto. É importante esclarecer que existe uma relutância por parte dos profissionais de saúde em admitir que esta desigualdade ocorra por conta do racismo. Alguns tentam explicar que se baseiam nas diferenças biológicas e genéticas raciais. Inexistem pesquisas que corroborem estas suspeitas. O que é indubitável é que nos Estados Unidos a população negra tem uma assistência à saúde bem inferior à oferecida aos indivíduos de pele branca. Só 4% dos médicos americanos são negros, enquanto 13% da população é formada por pessoas de pele escura. número de estudantes de medicina muito pequeno e não tem aumentado de maneira substancial nas últimas décadas. Continua existindo a incapaci dade de motivar os estudantes negro de seguirem a carreira de médico. O ór gão do governo norte-americano, o Instituto de Medicina, constatou o qu muitos suspeitavam, após analisar cen tenas de pesquisas: existem diferença significativas na assistência médic prestada às diferentes raças. Estes resultados persistem mesm considerando-se a situação econômica e o tipo de seguro de saúde. Interroga dos sobre a existência de diferença n atendimento dos pretos e dos brancos os médicos negam com veemência, po rém as pesquisas demonstram a su existência. Determina-se menos a pres são arterial dos negros e solicitam-se um número muito menor de exames labo ratoriais para os negros. Para modificar esta situação, exige-se decisão, persis tência e tempo. No Brasil, provavel mente também estas diferenças exis tam. Porém, seguramente elas são mui to maiores na assistência à saúde oferecida aos brancos comparada com que as pessoas da raça negra têm.
Fonte: Folha de Pernambuco



