Recifense em segundo em automedicação

Reações alérgicas, dependência química, intoxicação , em casos extremos, a morte. automedicação é um risco. esmo assim, é feita por 96% os recifenses, segundo pesquisa do Instituto de pós-graduação para Farmacêuticos ICTQ). Realizado em 12 capitais, o estudo revelou que a Capital pernambucana tem o percentual maior que o do País, que é de 76,4%. Fica atrás apeas de Salvador (96,2%). E o mais grave: quase um terço 32%) dos brasileiros que se automedicam costuma aumentar a dose do remédio por conta própria sem a orientação médica ou de um farmacêutico. Amanhã, Dia Nacional pelo Uso Racional de medicamentos, os estudantes o curso de Farmácia da UFPE ão realizar mutirão nos Hospital das Clínicas. A ação será das 8h às 16 e oferecerá aferição da pressão arterial, realizar teste de glicose e distribuir cartilhas informativas sobre os riscos da automedicação. Na pesquisa do CTQ, entre os remédios que parecem como alvos principais desse hábito estão os que combatem dores de cabeça e muscular, tosse e resfriados. As medicações para rinites alérgicas, aftas, hemorroidas, diarreia, verruga e ardor no estômago completam a lista. Conforme o clínico geral do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) Márcio Sanctos, o uso de medicamentos de forma incorreta, além de causar problemas à saúde, pode agravar a doença. Ou até mesmo “mascarar” um problema mais sério. “No caso de antibióticos, por exemplo, o cuidado deve ser redobrado. O uso abusivo desses fármacos pode facilitar o aumento da resistência de microorganismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos. Sem falar que, se combinados inadequadamente, os remédios podem anular ou potencializar o efeito do outro”, alerta.

CHANCE

Essa atitude pode custar muito caro à saúde. Por sorte, a vida resolveu dar uma chance a Elizabete Maria da Mota, 51 anos. Mesmo com os conhecimentos teórico e prático de uma técnica de Enfermagem, ela não escapou de ser vítima das reações adversas causadas pelo mau uso de medicamentos. O drama de Elizabete teve início emoutubro de 2013, quando começou a sentir dores nas pernas e passou a ingerir, por contra própria, pequenas dosagens de Marevan (remédio indicado para casos de trombose venosa profunda e na prevenção de embolia). “Sentia como seminhas pernas pesassem 20 quilos cada. Achava que era apenas cansaço ou problema de circulação, já que a minha profissão exige que a pessoa fique em pé amaior parte do tempo”, relata. Os meses foram passando e as dores nas pernas de Elizabete tomando proporções maiores, ao ponto dela aumentar a dosagem do remédio. “Comecei tomando um quarto do comprimido. Depois, metade. Até que as dores começaram a ser constantes, me fazendo ingerir o comprimido inteiro”, recorda. Em maio do ano passado, seis meses após iniciar o uso da medicação, começou a fazer xixi com sangue. Seus braços coçavam e só após chegar a esse estágio foi em busca de ajuda médica. Resultado: Elizabete foi internada de urgência. Ela permaneceu nove dias acamada num leito de hospital. “Meu sangue estava diluindo. Parecia água. Um remédio que parecia inofensivo me deixou a dois passos da morte”, relembra.

SÓ ESPECIALISTAS

Pedir indicação a um amigo ou vizinho sobre qual medicamento ingerir também são práticas frequentes. A esteticista animal Taluana Almeida, 34, foi aconselhada por uma cliente a tomar o analgésico Tramal devido a uma tendinite do calcâneo. “Meia hora depois minha pressão baixou. Tive pequenos desmaios seguidos de convulsões. Passei 20 minutos tremendo”, conta. A experiência serviu de lição para Taluana: “Medicamento é coisa séria.. Por mais simples que pareça a dor é imprescindível ir ao médico. Do Tramal ficou o trauma”, brincou.

FARMACÊUTICO

Como especialista em medicamentos, o farmacêutico tem um papel importante na diminuição dos riscos. Segundo a médica de saúde da família Fátima Nepomuceno, é dever do profissional de Farmácia informar e orientar o paciente, selecionando criteriosamente o fármaco mais adequado, avaliando a necessidade da utilização. “O acompanhamento profissional de um farmacêutico é fundamental para evitar uso indevido e irracional de remédios. Remédio não é brinquedo. Para tirar as dúvidas, convém procurar um profissionais especialista na área, ou seja, farmacêutico. A receita todo mundo conhece, mas é sempre bom reforçar para que vire uma prática diária”, reforça “Inclusive, a lei que define obrigatoriedade do farmacêutico nas farmácias dá mais segurança ao cidadão que precisa de atendimento”.

Fonte: Folha de Pernambuco

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