Na semana passada, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos emitiu alerta aos norte-americanos para o risco de contrair dengue e malária em viagens ao Brasil. Aqui, o número de casos registrados em 2015 já é 240% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Até 18 de abril, foram cerca de 745 mil casos da doença (cinco por minuto) contra 135 mil em 2014. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de incidência nacional chega a 367,8 casos por 100 mil habitantes, considerada epidêmica. Com o aumento de ocorrências, o número de mortes por complicações da doença também avançou: 29% em relação ao mesmo período de 2014.
Só no estado de São Paulo – em que, até a 15ª semana deste ano, ocorreram 169 mortes por dengue –, são produzidos cerca de 40 mil toneladas diárias de resíduos sólidos domiciliares. Nem é preciso dizer que, sem tratamento, a montanha de rejeitos é sinônimo de disseminação de doenças, entre as quais a dengue, além da contaminação do solo e dos lençóis freáticos, cursos d'água superficiais, poluição do ar pelo gás metano.
As autoridades têm boa parcela de responsabilidade na questão por falta de ação rigorosa no combate à omissão das pessoas. É inadmissível o poder público ter tolerância com donos de imóveis com quintais sujos e caixas-d’água sem tampa. Programa para tratamento de resíduos deveriam constar de planos estratégicos da União, estados e municípios. A prevenção deveria ser o primeiro item dos programas de governo, nas três esferas.
A gestão e o tratamento correto do lixo é a melhor forma de evitar doenças de perfis análogos à dengue e a congênere febre chikungnya, já presente em pelo menos cinco estados. Cada cidadão deve ter em mente que, sem prevenir agora, o Brasil vai continuar, por muito tempo, a conviver com a vergonha de abrigar doenças passíveis de controle. É o preço da negligência.
Fonte: Diario de Pernambuco



