Um ano sem Artur Eugênio

Até o final deste ano deverá ser realizado o júri relativo ao caso do médico Artur Eugênio de Azevedo Pereira. Há exato um ano, ele era encontrado morto às margens da BR-101 Sul, na comunidade de Comporta, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Foi assassinado com três tiros – todos à queima-roupa – em um dos crimes de maior repercussão no Estado nos últimos anos. O motivo seriam as divergências profissionais com outro médico, o também cirurgião Cláudio Amaro Gomes, 57 anos, com quem ele tinha trabalhado. Dos cinco acusados pelo crime, quatro estão presos e um morreu. Cláudio Amaro e o filho dele, o bacharel em direito Cláudio Júnior, 33 anos, estão no Centro de Triagem e Observação Professor Everardo Luna, em Abreu e Lima, na Região Metropolitana. Lyferson Barbosa da Silva, 27, e Jaílson Duarte César, 30, aguardam julgamento no Complexo Prisional do Curado, no Sancho, Zona Oeste da capital. O quinto acusado, o ex-presidiário Flávio Braz de Souza foi morto em fevereiro deste ano, após trocar tiros com policiais no Engenho Mambo, em Jaboatão. Em entrevista ao programa Conexão Repórter, do SBT, veiculada na noite do último domingo, Cláudio Júnior assumiu ter participação no que ele chama de “susto” a ser dado em Artur Eugênio. Ele, no entanto, nega ter ordenado o crime, jogando a culpa para Flávio, já morto.

Cláudio Júnior disse ter contado a Flávio os problemas profissionais que Artur Eugênio teria com seu pai e que o ex-presidiário teria se oferecido para “dar um susto” no médico. O bacharel em direito aparece nas imagens do circuito interno do Hospital de Câncer, indo até a sala onde trabalhava Artur, e depois entrando no carro que seria usado na abordagem ao médico, um Celta preto. O carro de Artur Azevedo foi interceptado em frente à casa dele, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, às 20h43 do dia 12 de maio de 2014. Depois disso, o médico foi encontrado morto na BR-101, e o veículo, carbonizado no bairro da Guabiraba, Zona Norte do Recife.

A polícia encontrou impressões digitais de Cláudio Júnior em uma garrafa encontrada no local e que teria sido usada para transportar o combustível utilizado para incendiar o carro de Artur. Os advogados do bacharel pediram análise da perícia da garrafa, cujo resultado deveria ter sido concluído até a última sexta-feira.

Altamiro Fontes, advogado de Cláudio Amaro Gomes, afirma que o cliente sempre disse a verdade ao se declarar inocente e que o depoimento de Cláudio Júnior admitindo a participação no assassinato só reforça a tese. “O que queremos é a correção de um equívoco que já dura onze meses: a prisão de um médico inocente, que nesse período deixou de fazer 330 cirurgias gratuitas para a população mais carente”, explica.

Antes da prisão, Cláudio Amaro Gomes era um dos mais conceituados cirurgiões do Estado. Ele chegou a fazer parte da equipe que atendeu o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, quando este teve uma crise hipertensiva em visita ao Recife. Foi Cláudio quem recrutou Artur, que concluía uma especialização em São Paulo, para trabalhar em sua equipe no Recife. Foi aí que começaram a surgir as divergências entre os dois. Artur se queixava de que Cláudio praticava assédio moral contra ele. Também denunciava a qualidade dos materiais utilizados nas cirurgias, bem como os valores cobrados pelo então chefe. Hoje, às 19h30, haverá uma missa em memória de Artur, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Ilha do Leite, área central do Recife. A família do médico também espalhou outdoors pelo Recife, para lembrar a data.

Fonte: Jornal do Commercio

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