Fiocruz avalia se o Recife tem casos de Zika

Uma nova pesquisa está em curso no Recife para tentar desvendar se há casos de Zika vírus ou outras arboviroses em meio à epidemia de dengue. O estudo é feito pelo Departamento de Virologia da unidade da Fundação Oswaldo Cruz no Recife, com pacientes acima de 16 anos que chegam à emergência do Hospital Santa Joana, da rede privada. “Já coletamos 50 amostras de sangue”, informa Carlos Brito, clínico-geral, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco e pesquisador-colaborador da Fundação Oswaldo Cruz. Ele é consultor do Ministério da Saúde para dengue e chicungunha.

Brito acredita que casos considerados atípicos de dengue, com manchas vermelhas e conjuntivite, podem ser causados por Zika vírus. Também estão sendo pesquisados Mayaro, chicungunha, a própria dengue e outros transmitidos por mosquito, completa a virologista Marli Tenório, da Fiocruz. Segundo ela, o período de viremia (tempo em que o vírus permanece no sangue) é mais curto na infecção por Zika, o que dificulta o exame. O trabalho é coordenador pelo médico Ernesto Marques, da fundação.

Além de revelar o diagnóstico preciso, o estudo possibilita ter um maior controle epidemiológico, definir estratégias ainda no curso da epidemia e futuros protocolos clínicos para as enfermidades emergentes. A ideia é chegar a 300 amostras, para isolar o vírus ou fazer a pesquisa do DNA (PCR). O diretor-geral de Controle de Doenças e Agravos da Secretaria Estadual de Saúde, George Dimech, reconhece a importância do estudo iniciado pela Fiocruz. “Outros também estão sendo realizados pela Secretaria Estadual de Saúde”, lembrou. Desde março, a SES passou a testar o sangue de doentes também para outras viroses, tentando esclarecer manifestação atípica. Por enquanto, 60% estão sendo confirmados como dengue.

A presença de Zika vírus no Brasil foi anunciada no final de março pelos pesquisadores Gubio Soares e Sílvia Sardi, da Universidade Federal ds Bahia. Ontem, o Ministério da Saúde, baseado em análises confirmatórias do Instituto Evandro Chagas (Pará), reconheceu a circulação do vírus, inclusive no Rio Grande do Norte.

Por sua vez, o Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas (Fiocruz-PR) confirmou Zika vírus em oito de 21 amostras de sangue de moradores do Rio Grande do Norte, enviadas pelo infectologista Kleber Luz. “É provável que a cepa seja asiática”, adiantou a virologista Cláudia Santos, chefe do laboratório, que está fazendo o sequenciamento genético do vírus. Ela também faz estudos em material de habitantes da Bahia e do Rio de Janeiro.

Fonte: Jornal do Commercio

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