O Centro de Oncologia (Ceon) do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife, está voltando a oferecer quimioterapias. Segundo a diretora do setor, médica Carla Limeira, 60% dos medicamentos em falta foram repostos. A previsão, no entanto, é que essa primeira remessa seja suficiente para apenas um mês.”Os pacientes que tiveram o tratamento suspenso devem entrar em contato com o serviço para saber se a sua medicação já está em dia”, orientou a oncologista. Desde o início do mês, o serviço enfrenta falta generalizada de medicamentos. Mais de 80% estiveram zerados.
Remanejamentos internos de verba, na semana anterior, garantiram uma compra emergencial, que, segundo o diretor Bento Bezerra, está sendo liberada gradativamente pelos fornecedores. Na última sexta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde, que faz o controle do SUS no Estado, liberou R$ 4,9 milhões de um total de R$ 12 milhões que o Huoc pretende receber. O total corresponde à prestação de serviço ao SUS e os recursos são federais, do Ministério da Saúde.
Além desse valor, o Oswaldo Cruz precisaria de no mínimo R$ 20 milhões para readequar sua receita, pagar dívidas atrasadas e retomar sua capacidade de assistência. Há duas semanas, a diretoria mandou suspender cirurgias e internações que exigissem consumo de antibióticos e medicamentos outros que estavam em falta.
Somente no setor de quimioterapia, 1.200 pessoas foram afetadas pelo desabastecimento. Uma ação movida pelo Conselho Regional de Medicina (Cremepe) resultou numa liminar da Justiça Federal que determinava um prazo de 10 dias para o estado recompor as finanças do hospital. Esse prazo termina quinta-feira. Amanhã, residentes da instituição e dos outros dois hospitais da Universidade de Pernambuco fazem greve de 24 horas e passeata, pela manhã, para cobrar investimento estadual no complexo hospitalar. Na quinta está previsto um ato público dos funcionários.
PETROLINA
A direção do Hospital da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, Sertão do Estado, reabriu o bloco cirúrgico para operações previamente marcadas. Segundo a assessoria da unidade, parte dos medicamentos adquiridos foi entregue no final da tarde de sexta-feira. A remarcação das cirurgias eletivas tem sido feita a partir de avaliação médica, sendo priorizados os casos mais urgentes, informou.
O hospital tornou-se federal há pouco tempo. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) assumiu a gestão em fevereiro deste ano. Pouco mais de R$ 2,1 milhões foram investidos desde então, na compra de remédios e outros insumos. Mas, ao mesmo tempo, a demanda por serviços cresceu, levando o hospital a suspender, na semana passada, as cirurgias programadas.
Fonte: Jornal do Commercio



