Além da Síndrome Guillian-Barré, outras doenças neurológicas posteriores a quadros de infecção viral têm aumentado em Pernambuco nos últimos meses. Foram cerca de 120 pacientes investigados até o momento por um grupo encabeçado pelo infectologista e membro do comitê técnico do Ministério da Saúde para a dengue e zika, Carlos Brito. Os médicos monitoram o aumento desde maio. Um ambulatório para acompanhar esses pacientes foi criado no Hospital da Restauração (HR) para revisar os casos, repetir exames e descobrir o que desencadeou o quadro neurológico. O zika, vírus recém-descoberto no Brasil, pode ser a causa, acredita Brito. “Há um número de casos neurológicos superiores aos de anos anteriores, quando ainda não havia o zika. Com o surto, surgiram os quadros neurológicos. Na investigação preliminar, os pacientes descreviam quadro clínico compatível com o zika”, comentou o infectologista. Por esse motivo o médico acredita que o vírus possa ser o causador das complicações neurológicas. “O zika pode ser o vilão. Parecia ser uma doença que dá apenas coceira. Depois assumiu caráter de problema de saúde pública. Agora, passamos a ter mais uma preocupação. Porque pode haver ou não uma confirmação de que ocasione aumento de problemas neurológicos”, avaliou. Apesar do alerta, o médico frisou que a dengue continua sendo uma doença mai grave e com maiores chances de mortalidade. Além dos casos Guillian Barré, que acomete os nervos e músculos periféricos também são alvos de apuração as neurites óticas, que atinge o nervo ótico, e mie lite, que acomete a medula espinhal. Os três casos sã autoimunes e podem surgir após infecções por vírus ou bactérias. “O que predomina é síndrome Guillan-Barré, mas várias outras são fre quentes”.
GUILLAN-BARRÉ
Entre as pessoas que tive ram a síndrome está Artur Prado, 10 anos. “Quand ele tinha 8 anos começou se queixar de dores pel corpo e na cabeça. Um dia antes teve vômito e diar reia. Em cinco dias parou completamente de andar e foi hospitalizado. Em cinc dias fez o tratamento co imunoglobulina no hospi tal”, relembrou a mãe dele, a médica Hegla Prado, 36 Além dos remédios, o me nino fez meses de fisiotera pia. Na última consulta el ainda não tinha recuperado reflexos profundos. A sín drome também mudou rotina do jornalista Migue Rios, 47, depois que o com panheiro Cristiano Santos 40, foi acometido pela doen ça há quase sete meses Depois do diagnóstico ini cial de dengue, o quadr dele teve uma complica ção. Foi diagnosticado co Guillian-Barré.
Fonte: Folha de Pernambuco



