O médico Octávio de Freitas estava entusiasmado com a meta de criar uma faculdade de medicina em Pernambuco. Preparou com cuidado e dedicação uma proposta para apresentar aos colegas em abril de 1909, no primeiro Congresso Médico de Pernambuco, realizado no Teatro de Santa Isabel. No dia da apresentação, o destino mudou os planos.
A morte dos dois únicos filhos, por febre amarela, impediu-o de defender, com a firmeza pelo qual era conhecido, o sonho. A meta de instalar um curso médico em terras pernambucanas ainda seria freada várias vezes, até 16 julho de 1920, quando os primeiros alunos iniciaram os estudos. Neste ano, a turma completa 90 anos de formação.
Com apenas seis alunos, além de um que faleceu no decorrer da graduação, a primeira turma de medicina de Pernambuco, da Faculdade de Medicina do Recife, abriu as portas para transformar o estado no segundo polo médico do país. Naquela época, nascer, na maioria das vezes, era em casa. Morrer, também. Mulheres, pelo preconceito, quase não acessavam a graduação.
“A medicina era muito rudimentar. As pessoas eram cirurgiadas em casa, com mesa na sala de jantar e material esterilizado na cozinha”, conta o membro da Academia Pernambucana de Medicina e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, o cardiologista Cláudio Renato Pina Moreira.
A faculdade de medicina do Recife formou, em sua primeira turma, pessoas como o médico e jurista Aníbal Bruno, e teve como primeiros professores Aggeu Magalhães, Barros Lima, entre outros. Incorporada à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a instituição foi base para os cursos médicos de Campina Grande, na Paraíba, e Natal, no Rio Grande do Norte. A graduação começou paga e hoje forma 150 alunos por ano, gratuitamente.
“O pessoal que estava na faculdade foi responsável por criar o ânimo de dinamizar a medicina em vários aspectos e formar a base para o complexo existente em Pernambuco hoje”, lembrou Pina Moreira.
Fonte: Diario de Pernambuco



