O Hospital Ulysses Pernambucano (HUP), única emergência psiquiátrica do stado, está tomado por atos. O alerta foi dado pelo Sindicato dos Médicos do Estado (Simepe) e o Conselho Regional de Medicina (Cremepe), que identificou dezenas de felinos juntos dos pacientes. Entre as cenas flagradas, animais bebendo água no bebedouro ou circulando pelo pátio. A estimativa de que mais de 40 deles estejam morando na unidade, conhecida como Tamarineira. ão alimentados por pacientes e pelos próprios funcionários. O relatório cobrando providências será entregue o Ministério Público (MPPE) à Secretaria Estadual de saúde (SES). No MPPE já há m procedimento aberto obre as condições e infraestrutura sanitária do HUP desde o ano passado. Nele, já constava a preocupação com s gatos. “É um absurdo o que vimos o Ulysses. O risco de zoooses é grande”, alertou a diretora do Simepe, Malu Davi. Segundo ela, os felinos oram vistos não só no pátio, as nos corredores, camas e té no refeitório da unidade. Entre as doenças que podem ser transmitidas por esses animais estão alergias, toxoplasmose, dermatomicoses ou tinha”, sarna sarcóptica, esporotricose (que são lesões e pele provocadas por fungos), toxocaríase (também hamada de larva migrans visceral, mal infecto contagioso que pode evoluir para complicações nos olhos ou sistema nervoso central) e ancilostomíase (doença causada por verme e que é chamada também de “amarelão”). Malu Davi afirmou é necessário uma resolução rápida da questão. A Secretaria de Saúde informou que está ciente do problema. A direção do hospital está reforçando as telas de proteção dos muros para evitar que a população jogue gatos no terreno da unidade e, também, para dificultar o acesso dos bichos. Outra proposta é conscientizar pacientes e funcionários para que não alimentem os felinos, já que a oferta de alimento é um dos fatores que contribuem para a superpopulação na área. Ainda nesta semana, o diretor do Centro de Vigilância Ambiental (CVA) do Recife, Jurandir Almeida, fará uma vistoria no HUP. “Vamos nos reunir com a direção para ver como podemos resolver. Mas a situação não é tão simples. Não é só ir lá e recolher os gatos. Até porque não temos nem onde abrigá-los”, adiantou. Hoje, segundo Almeida, o CVA só tem capacidade para receber de 15 a 20 animais. OUTROS HOSPITAIS O diretor confirmou que a situação de gatos é um problema geral na rede pública hospitalar. “Isso não acontece só no Ulysses, mas também em outras unidades como o Hospital Otávio de Freitas (HOF) e Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC). É comum inclusive encontrar potes com restos de comida e ração nos terrenos desses lugares”, exemplificou. Trabalhadores do HOF comentaram que os felinos têm preferência pela área da cozinha e restaurante. E que alguns foram adotados por pacientes da pneumologia. Jurandir Almeida comentou que os gatos acabam ganhando espaço diante da fragilidade emocional de pacientes e funcionários que buscam fazer o “bem” aos amigos de quatro patas sem perceber o problema sanitário. Com os cuidados, eles encontram terreno fértil para procriar. “A gestação dos gatos pode acontecer até de dois em dois meses. E em cada uma delas podem nascer de sete a oito gatinhos. Dessa forma, não temos um problema simples para resolver”, avaliou. Para ele, nesse momento é preciso realizar uma campanha de castração e de adoção desses felinos de hospitais.
Problemas também de estrutura e remédios
A mesma vistoria que identificou a superpopulação de gatos no Ulysses Pernambucano também atestou problemas de infraestrutura, falta de insumos e medicamentos, escalas incompletas, além de insegurança. O cenário, segundo o relatório das entidades médicas, apresentou mofo nas paredes, pavilhões cheios de fios expostos e mal instalados, consultórios e salas de triagem da emergência funcionando com paredes molhadas e com fiação exposta, chuveiros e pias com vazamentos e com baldes aparando a água e, ainda, janelas com madeira apodrecida. “O hospital vive numa situação de precariedade e os profissionais não têm condições de trabalhar”, afirmou a diretora do Simepe, Malu Davi. As medicações em falta são Diazepan, Haldol decanoato e Flufenazina. A direção do hospital informou que vem trabalhando para manter a unidade com estoques abastecidos de insumos e medicamentos. A falta de insumos relatada foi um caso pontual, motivada pelo atraso na entrega dos produtos. Em relação à estrutura, uma equipe que já faz reparos rotineiros está realizando o controle do mofo e a troca de algumas janelas da emergência. Sobre a escala de profissionais, a direção esclareceu que vem trabalhando, junto com a Secretaria Estadual de Saúde, no sentido de manter os plantões completos, tanto de profissionais de saúde quanto recepcionistas. Na maior parte das vezes, as faltas ocorrem quando a direção não tem tempo hábil de substituir um profissional impossibilitado de cumprir o plantão. Já a questão dos vigilantes, a SES disse que está negociando com a empresa Rima para que a situação seja resolvida de forma responsável, sem prejudicar os funcionários contratados. A pasta também já entrou em contato com a Polícia Militar para que a segurança na unidade seja reforçada.
Fonte: Folha de Pernambuco



