Crise nas contas também afeta a saúde. Em todo o País, a situação se agrava e em Pernambuco não é diferente. O governador Paulo Câmara admitiu, em debate no programa de Geraldo Freire, na Rádio Jornal, que não tem recursos para concluir e colocar em operação as sete UPAE em construção ou concluídas. Um complemento às declarações do governador dá a pista para a gravíssima situação da saúde pública em Pernambuco: o caso é de UTI, apesar de o gasto do Estado estar acima do previsto pela Constituição federal, 12%.
Para tirar a prova dos nove do quadro de indigência em nosso Estado, basta ir a qualquer hospital público, da capital ou do Interior, com as honrosas e raríssimas exceções que são as grandes estruturas criadas pelo governador Eduardo Campos – sem similares nas estruturas carcomidas pelo tempo e pela ausência de interesse dos governantes em atualizarem os espaços, os equipamentos e, sobretudo, as equipes de atendimento. Em Pernambuco esse cenário é recorrente e com frequência agravado pelas greves de segmentos indispensáveis, seja pela exigência de melhores condições de vida, seja por melhor salário e, até, por ausência de motivação para o trabalho com repercussão imediata na qualidade dos serviços disponíveis mas nem sempre prestados. O que disso resulta está visível nas matérias levantadas pela repórter Verônica Almeida, deste JC, de onde é possível contabilizar incontáveis obstáculos na prestação dos serviços públicos de saúde, como acontece com a atual temporada de dispensas que atinge trabalhadores terceirizados para limpeza e manutenção de hospitais públicos.
A gravidade desse problema pode ser vista até mesmo no fluxo de ambulâncias do interior para a capital, porque as condições de atendimento em seus municípios de origem ou é muito precária ou simplesmente não há serviços mais especializados, que dependem do Recife. É uma visão dramática, sentida particularmente por quem percorre as principais rodovias federais e se o interessado se detém na fonte, na cidade onde deveria estar o hospital para atendimento regionalizado, como se dá, por exemplo, em Caruaru ou em Garanhuns, que atendem aos necessitados de dezenas de outros municípios.
Nesses centros regionais a visão que se tem é de caos. A medição desse cenário quase sempre caótico e não apenas de Pernambuco se dá através dos números que correspondem ao investimento em saúde pública, mesmo quando a Constituição federal diz que esse é um direito de todos e dever do Estado. Apesar de tão generosa proposição, em 2014 o governo federal gastou com saúde dez vezes menos do que com juros e amortizações da dívida pública. Em outra constatação, sabe-se que o Brasil não gasta nem a metade da média mundial por pessoa em saúde.
Fonte: Jornal do Commercio



