Numa nave desgovernada e afundando, com uma almirANTA tresloucada e uma bandeira de piratas hasteada no lugar do pavilhão nacional, la nave va, carregando gestantes, crianças, aleijados, idosos, cegos, mutilados, drogados, órfãos e viúvas aposentadas, num mar revolto e em tempo de tempestades.
Desesperados se agarram uns aos outros.
Em qualquer situação assim, os primeiros a serem protegidos e cuidados são as gestantes e as crianças; mas nessa nave mórbida as gestantes e as crianças são as primeiras a serem jogadas ao mar, sem nenhum amparo.
Ao caos instalado nas maternidades públicas do estado e nos serviços municipais, soma-se a essa tragédia o fechamento de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) iniciando pela demissão de pediatras. Difícil nascer, mais difícil viver nesse barco trôpego e sem rumo.
Denunciamos cada um com sua parcela de irresponsabilidade o Governo Federal, o Governo Estadual e o Municipal do Recife e de outras cidades que assim estão procedendo.
Fechamento da pediatria das UPAs do Cabo de Santo Agostinho, Imbiribeira, Olinda, Torrões e Jaboatão. Demissão de pediatras (mais de 30) dos hospitais Mendo Sampaio, Jamaci e Infantil no Cabo. O Hospital Barão de Lucena (HBL) fechou oito leitos da enfermaria de pediatria, assim como o Hospital Maria Lucinda (convênio da Secretaria de Saúde do Recife) fechou a UCI e Emergência noturna pediátrica. Para completar o Hospital Miguel Arraes (HMA) demitiu sete radiologistas do plantão noturno e fechou 30 leitos de traumato-ortopedia.
La nave va, enquanto tubarões e urubus esperam os últimos sobreviventes para o banquete final.
Recife, 04 de setembro de 2015
A Diretoria Executiva



