Novo medicamento é alternativa

Atualmente, pessoas que têm altos níveis de colesterol, seja por desequilíbrio adquirido por maus hábitos ou por HF, são tratadas geralmente com uma combinação de ezetimiba e estatinas, substâncias fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A ezetimiba reduz a absorção de gordura pelo intestino. As estatinas aumentam a síntese do LDL no fígado. No entanto, há casos em que o paciente desenvolve intolerância às estatinas, que deixam de cumprir a função de reduzir o LDL, ou sofre com os efeitos colaterais, como dores e cansaço.

Além disso, somente 20% das pessoas que recebem a atenção necessária conseguem chegar a 100 mg/dL. Um novo medicamento biológico, os inibidores da proteína PCSK, é a atual alternativa para ajudar essas pessoas.

A PSCK9 foi descoberta em 2003. Embora seja produzida pelo corpo humano, ela faz os receptores de LDL na superfície da célula do fígado – que destroem o colesterol dentro do órgão – se desintegrarem também (veja infográfico). O evolocumab, anticorpo monoclonal humano da Amgen que inutiliza a PSCK9, foi aprovado na Europa e nos Estados Unidos recentemente.

A Sanofi e a Pfizer também trabalham nessas substâncias: o produto da Sanofi já tem a aprovação norte-americana. Já o da Pfizer ainda está sob análises das agências reguladoras no continente europeu e nos Estados Unidos. No Brasil, o evolocumab está sob análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que pode levar até 24 meses para ser concluída. Depois, segue para o Ministério da Fazenda para ser definido o preço de mercado, adicionando mais dois ou três meses até chegar às prateleiras.

No caso da Amgen, até agora os testes feitos em grupos que receberam uma combinação de estatinas e evolocumab mostram redução do nível de colesterol em até 70 mg/dl (indicado para pessoas com HF ou dislipidemia) em 94% dos pacientes, contra 14% que estavam recebendo placebo. Para aqueles que sofrem com intolerância à estatina, a droga reduziu o LDL a esses níveis em 46% dos casos, bem acima dos 2% dos pacientes tratados com ezetimiba. O que se estuda agora é a eficácia dos medicamentos sobre a redução de doenças cardiovasculares, estimada em 65%. Mas as comprovações são esperadas apenas para 2017.

“Uma vez que estas drogas estejam disponíveis no Brasil serão de um benefício muito grande para os pacientes”, assegura o cardiologista Raul Dias Santos, do Incor. Mas ele é pessimista quanto à futura disponibilidade da droga para o SUS, devido ao alto preço. O custo atual está em torno de US$ 1.000 mensais, ou cerca de US$ 12 mil ao ano, ou, ainda, cerca de R$ 45 mil anuais. De todo modo, ainda não se sabe a que preço os inibidores da PCSK vão chegar ao Brasil. “Se realmente não for pelo SUS, o governo pode fazer parcerias com centros de pesquisa de referência para que isso ocorra”, opina Raul Dias Santos.

Fonte: Jornal do Commercio

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