Depois de 12 anos sem registrar mortes por difteria, Pernambuco investiga o óbito do adolescente Paulo Sizernando, 17 anos, que pode ter morrido da enfermidade em Salgueiro, no Sertão. Outros dois irmãos dele, os gêmeos Cosme e Damião de Souza, 19 anos, foram transferidos para o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), com suspeita da doença. Além desses três casos, ainda em investigação, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) tem outros quatro confirmados neste ano. O número já é maior que em 2014 e 2013, quando apenas um caso foi atestado. Antes disso, o último registro foi em 2007. Já o óbito ocorreu, pela última vez, em 2003. A Vigilância Sanitária de Salgueiro está em campo fazendo bloqueios vacinais e também a quimioprofilaxia, que é o tratamento com antibiótico em pessoas que tiveram contato com os irmãos.
Os pais dos três jovens, Sizernando de Souza, 46 anos, e Antônia Maria, não conseguem entender como os filhos adoeceram. “Eles foram dormir bons e no sábado (dia 29 de agosto) amanheceram todos doentes. Foi um negócio muito de repente. O primeiro a reclamar de uma dor no pescoço foi Paulo assim que acordou. Logo depois veio Cosme e Damião com a mesma coisa”, contou o pai. O agricultor ainda indicou que os meninos fossem “rezar olhado” com uma avó porque a suspeita era papeira. Como a dor piorou à noite, todos foram buscar um médico no hospital da cidade. Paulo morreu antes de ser transferido. “Nunca tinha ouvido falar de difteria, nem que era assim tão severa”, disse. Antônia Maria afirmou que a vacinação para a doença estava em dia. “Sempre fui uma mãe cuidadosa”.
A médica residente de infectologia do HUOC Monnara Lúcio está acompanhando os gêmeos desde a internação no último sábado. “O quadro deles é estável”, disse. Cosme e Damião tiveram material da garganta e narizes coletados para exames. O resultado deve sair em 15 dias. A morte por difteria ocorre por infecção generalizada ou sufocamento pelo fechamento das vias aéreas. Apesar do aumento dos casos, a gerente de Controle de Doenças Imunopreveníveis da SES, Ana Antunes, não considera o quadro de risco. Ela destacou que a vacina é a única forma de prevenção.
Fonte: Folha PE



