O Sindicato dos Médicos de pernambuco (Simepe) irá adicionar o Ministério Público uanto à redução no quantitativo de profissionais e às condições precárias de trabalho nas Unidades de Prono Atendimento (UPA’s) da Região Metropolitana do Recife. A decisão ocorre após o pedido de demissão conjunta de 21 dos 25 médicos que atuam na Upa da Caxangá, considerado o posto de aior demanda e complexiade da rede, com mais de 0 mil atendimentos menais. A categoria não aceita as edidas de cortes de gastos mpostas pela direção e os édicos devem deixar o quaro de funcionários até o iníio do mês de outubro. De cordo com a entidade, a siuação já vem sendo repliada em outras unidades, ue também amargam a falta e insumos, remédios, equiamentos e leitos. “A gestão propôs demitir édicos visando apenas se dequar a sua situação ecoômica. Em nenhum moento foi colocado à mesa a aixa qualidade do serviço ue, inevitavelmente, seria ferecido à população. Os rofissionais já exercem caras de trabalho desumanas e ão poderiam ser coniventes ommais esta ação irresponável”, critica o presidente do imepe, Mario Jorge Lobo. egundo o gestor, uma reuião, na última semana, com coordenação do Hospital aria Lucinda, responsável ela unidade, apresentou um plano de recuperação financeira, incluindo a diminuição de especialidades como a pediatria e a clínica-geral, nos dois turnos, além da dispensa de um profissional diarista. A queda seria de cinco para três. Há pouco mais de dois meses, os plantões de ortopedia também já haviam sofrido baixas nas escalas. Conforme Lobo, a proposta de redução de 10% das despesas na saúde, lançada pelo Estado, teria desencadeado os problemas. “Hoje temos formatos de contratação que delegam poderes a entidades privadas para a livre manipulação do equipamento público. “É preciso discutir a estrutura como forma de valorização à vida. O menor repasse de dinheiro não pode penalizar os profissionais, nem tampouco o cidadão”, aponta. Atualmente, 15 UPA’s estão espalhadas pela RMR, além de Petrolina, no Sertão. Os equipamentos, criados em 2010, oferecem prontidão 24 horas e chegaram sob a promessa de desafogar os grandes hospitais. Conforme já mostrado pela Folha, denúncias de superlotação, ausência de macas e morosidade no acolhimento se tornaram comuns. A médica Luciana Farrapeira diz que o cenário é um indicativo do caos a que está submetida a saúde pública em Pernambuco. “Estamos trabalhando sem itens básicos, como luvas ou ampolas de glicose, e diversas formulações deixam de ser prescritas pela ausência constante em estoque. O Código de Ética recomenda o atendimento de no máximo 36 pacientes por plantão. Contudo, de forma desrespeitosa, nos deparamos com 50 ou 60 pessoas à espera de ajuda”, revela. Segundo ela, a falta de estrutura tem retirado a essência elementar das Upas, que seria o primeiro atendimento. “Não existem leitos de UTI para transferência e os casos mais graves acabam mantidos nas unidades sem o devido acompanhamento”, alertou. A abertura de novas vagas para médicos chegou a ser anunciada publicamente. “Ao invés de estabelecer o diálogo, preferem colocar um novo time para se sujeitar ao erro”, acrescenta. PROBLEMAS As falhas quanto à prestação de saúde conseguem se estender a diversos setores. Conforme informações obtidas pela Folha, os quadros de profissionais que atuam no transporte de pacientes também vêm enfrentando cortes e atrasos nos salários. As empresas terceirizadas que prestam o serviço de ambulância estariam sem receber desde o mês de maio e ameaçamo recolhimento dos veículos já nos próximos dias. O quadro se repete nos trabalhadores extra-quadro da Farmácia do Estado. A categoria vem realizando constantes paralisações pela falta, inclusive, dos valestransporte e alimentação. Procurada pela Folha, a assessoria da Secretaria Estadual de Saúde informou que já iniciou o processo de regularização de insumos e demais materiais de trabalho. J a direção do Hospital Mari Lucinda, que administra Upa da Caxangá, alegou que não foi comunicada oficial mente da dispensa dos mé dicos. Sem fornecer detalhes a entidade disse reconhecer adoção de medidas para reestruturação, mas afirma que processo não deve trazer prejuízos ao atendimento da po pulação.
Fonte: Folha de Pernambuco



