Engravidar durante o tratamento do câncer de mama é possível? Sim. E depois do câncer? Também. Esqueça hipóteses da literatura médica, amos falar de um caso real. Hoje é o dia de conhecer a história da auxiliar de enfermagem Fernanda Pereira de Luena, 41 anos, que dias após terminar o tratamento descobriu que carregava no ventre um pequeno milagre. O bebê ós-câncer pegou todos de surpresa há seis anos. E gerou novas expectativas, misturadas ao desconhecido: como nasceria o bebê que possivelmente foi exposto à radioterapia e medicações demarcador hormonal? Seria a gravidez altor de risco para a reincidência do câncer? Como seria amamentação? Superados s dramas e os medos, Fernanda celebra a ampliação da família com Amanda Conceição, uma menina saudável. A prova da renovação da vida e fôlego de esperança para mulheres que têm o desejo de serem mães depois da cura. Funcionária do Hospital do Câncer de Pernambuco há ais de dez anos, Fernanda era costumada a ouvir histórias de mulheres que descobriam o tumor repentinamente tinham as vidas viradas de ponta cabeça. O exemplo também estava em casa: uma irmã foi cometida pela doença fazia três anos. Mas até então as histórias que conhecia se resumiam aos dramas de diagnóstico, quimioterapias, radioterapia. Não envolvia gravidez. Mas a de Fernanda foi cercada pelos filhos do começo ao fim. quatro meses após parir seu primeiro filho Artur, buscou fazer os exames de rotina nas mamas. Foi alertada pela médica para microcalcificações no seio esquerdo. Foi pedida uma biopsia. “Ainda estava amamentando e não sentia nada na mama. Mas, depois que a médica disse isso, tive certeza que estava coma doença. Meu coração já dizia”, relembrou. A cirurgia para a retirada completa do seio foi seguida dos ciclos de quimioterapia e radioterapia. “Foram quatro
sessões de quimioterapia, um mês e 28 dias de radioteparia e mais um ano tomando um remédio de receptor hormonal. Quando terminei tudo, dias depois, estava muito enjoada, achei ainda que era devido aos remédios, mas depois fiquei meio desconfiada. Fiz um exame de beta e deu positivo”, contou. Diante da gestação, a reconstrução da mama que estava marcada para poucas semanas foi cancelada. Fernanda pensava que o tratamento a impossibilitava de engravidar. Por isso abandonou métodos contraceptivos como marido. “Não pensei em prevenção. Queria viver. Queria estar perto do meu marido”, confidenciou. Os familiares que comemoravam o fim do tratamento se viram de novo em aflição sobre a gestação. A mãe de Fernanda, Zélia Lucena, 71, se apegou a Nossa Senhora da Conceição. “Meu medo era que a menina nascesse com algum problema de saúde. Graças a minha santa ela nasceu perfeita, saudável. Por isso ganhou o segundo nome de Conceição”, contou a idosa. Se Zélia teve medo da gestação, Fernanda contou que recebeu a “dádiva” com resignação. “Entreguei nas mãos de Deus. Não imaginava ser mãe assim, mas fechei a ‘fábrica’ com chave de ouro”, brincou. Ela orgulha-se de ter amamentado a filha até os dois anos de idade e com apenas um seio, peito que também foi fonte de alimento para uma sobrinha.
ÓVULOS
Representante regional da Sociedade Brasileira de Mastologia, Darley Filho esclarece que a quimioterapia pode reduzir as chances da mulher engravidar, mas a situação é possível. Por isso a paciente que não quiser ser pega de surpresa por uma gestação no tratamento deve se prevenir usando preservativo. O médico indicou que, por segurança, as pacientes que pretender ter filhos após o tratamento podem optar pela coleta e congelamento de óvulos para posterior fecundação. “Depois do tratamento pode acontecer da paciente não conseguir mais ovular. Mas nada impede que tenha filhos por meio de reprodução assistida”, explicou. Esse procedimento é sugerido porque as drogas da quimioterapia, altamente toxicas, podem ter afetado o patrimônio folicular ovariano, o deixando escasso. Darley Filho afirmou que a maternidade pode, inclusive, servir como proteção imunológica para a mulher que superou o câncer. “Nada impede que esta mulher tenha filho depois. De modo geral, a gravidez pode melhorar o sistema imunológico e a autoestim dela. Essa proibição de antigamente era um tabu. A gestação não é fator agravante para a doença”.
CONCEPÇÃO
O ideal é a mulher espera de seis meses a um ano par engravidar após o tratamento. Isso seja pela concepção natural ou reprodução assistida Já a amamentação também acontece sem qualquer prejuízo para o bebê. Darley Filho orienta que em mulheres onde há apenas a retirada de parta do seio, é possível que amam tratada produza leite normalmente. “A mama é uma glândula que parece uma árvore cheia de galhos. Durante a cirurgia podemos tirar apenas alguns desses galhos e preservar outros, mas tudo vai depender do diagnóstico precoce. S isso não acontece temos que tirar da raiz, o que realmente inviabiliza a produção do leite”
RISCOS
O temor sobre sequelas e bebês de mães em tratamento de câncer é comum e exigi cuidados. Coordenadora da oncologia clínica do Hospital Universitário Oswaldo Cru (HUOC), Cristiana Tavares explicou que se a gestação acontecer a partir do segundo trimestre não há problema. Mas se o tratamento acontece no primeiro trimestre gestacional há risco de malformação do feto. “A partir do segundo trimestre o feto está todo formadinho e é possível continuar o tratamento. Quando o feto estiver maduro pode se fazer uma cesariana”, disse.
Fonte: Folha de Pernambuco



