O aumento da expectativa de vida, graças ao desenvolvimento científico e tecnológico, é uma realidade permanente. No início do Império Romano, ela era apenas de 28 anos. No século XX, ela aumentou de 42 para mais de 70 anos. Hoje, há muitos indivíduos que sobrevivem vários anos além dos 70. E a expectativa é que continue aumentando a duração da vida humana. Como resultado, a população de idosos, de envelhecidos, já é bastante grande. Inclusive o custo com os seus cuidados é um dos mais importantes itens dos sistemas de saúde dos países. Com o número de idosos cada vez maior, além do grande aumento de despesas, infelizmente acarreta efeitos colaterais desagradaveis sobre o indivíduo e a sua família. O médico Atul Gawande publicou um livro em intitulado “ Mortais” em que ele analisa alguns desses efeitos. A obra foi, inclusive, recentemente lançada no Brasil. Nela, o autor cita uma frase “forte” do romancista Filiphe Roth: “A velhice não é uma batalha, a velhice é um massacre”. As perdas vão surgindo e se sucedem com o evoluir dos anos. Em uns, a diminuição da capacidade de ouvir, faz com que eles aumentem o som da televisão a níveis que se tornam desagradáveis para os outros. Muitos perdem a capacidade controlar o fluxo da úrina, a conhecida incontinência. Necessitam usar fraldas, porém vários não aceitam fazê-lo. Consideram que isto afeta a sua dignidade. A probabilidade de quedas aumenta com a evolução dos anos. Tais acidentes podem inclusive trazer consequências graves. Como resultado, requerem vigilância contínua para diminuir a chance de que isso possa ocorrer. Alguns recusam alimentação e/ou ao banho. A frequência das idas aos médicos aumenta com o tempo. Quase sempre esses muitos cuidados são feitos pelos filhos. O tempo gasto por eles pode ter repercussões negativas sobre as suas atividades profissionais. O problema será tanto maior quanto menor for o número de filhos. Torna-se dramático no caso de filho único. Uma atitude que minimizaria em muito o problema seria contratar uma pessoa que assumisse a maioria dos cuidados com o idoso, um cuidador. Isto nem sempre é economicamente viável. Uma outra solução seria colocálo numa casa de repouso. Isto obrigaria ao velho a conviver permanentemente com estranhos e a ser submetido a rotinas a que não estão habituados. Até para os médicos eles acarretam mais trabalho. Afinal, não têm uma única queixa, mas muitas. Porque além das diminuições da audição e da visão, muitas doenças são mais frequentes nos idosos: hipertensão arterial (50%), dia betes (20%), reumatismo (20%) e problemas da coluna (28%) são algumas. Isto sem falar na doença de Parkinson e principalmente no Alzheimer. Esta última acomete cerca da metade do que têm 80 anos ou mais. Infelizmente não existe outro caminho “O tempo nos cobra pedágio para no permitir continuar vivos”. O pedágio mais caro para uns do que para outros Para evitar esta cobrança, só exist uma solução, morrermos antes da velhice chegar. Você acha que esta uma boa escolha? ? ?
Fonte: Folha de Pernambuco



