Situação alarmante na emergência do Procape

Um cenário preocupante foi registrado ontem na emergência do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape). Mais de 100 doentes cardíacos se amontoavam em corredores e salas do espaço que comportam apenas 33. Alas que deveriam abrigar quatro pacientes estavam com nove. Na falta de macas, cadeiras serviam de descanso para enfartados. Para tentar colocar um pouco de ordem no caos, somente quatro médicos se desdobravam nos cuidados aos doentes, que tinham os mais diversos perfis de gravidade. A superlotação no hospital é uma constante, mas desde o fim de semana a situação piorou. Não há nem mesmo espaço para os acompanhantes. O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) denunciou a situação alarmante, com exclusividade, à Folha de Pernambuco. A diretora do Simepe, Malu David, comentou que a superlotação está provocando precariedade na assistência. “Até mesmo macas que deveriam ser utilizadas para fazer exames estão servindo de leito. Tem paciente internado em cadeira”, afirmou. Ela destacou ainda que a situação é de tensão entre todos. “Os pacientes sofrem e os médicos também. Muitos colegas relataram que estão sendo agredidos e ameaçados porque a população está insatisfeita com a superlotação”, disse. Para Malu David não existe solução simples para o Procape, que é a única emergência cardiológica do Estado. “A providência que sempre estamos conversando com a direção e coma Secretaria de Saúde é a criação de leitos de retaguarda”, comentou. O diretor geral do hospital, Sérgio Montenegro, confirmou que a unidade sofreu uma enxurrada de pacientes nos últimos dias. Segundo ele, a demanda normalmente já é maior que a capacidade física. Na semana passada, por exemplo, a média de pacientes na emergência era de 70. “Esse é o preço que pagamos por ser um hospital de porta aberta e atender a todos que chegam. A solução não depende só de mim, mas temos nos esforçado em fazer o nosso trabalho”, justificou Montenegro. Do lado de fora do hospital, as reclamações não cessam. Parentes que não conseguem ficar com os doentes passam noite e dia acampados na calçada ou portaria. “Meu pai está entubado e precisando de uma UTI que não chega. Já teve quatro paradas cardíacas e nada de vaga. Agora está na sala vermelha. Estamos há 19 dias aqui”, contou Aline Silvestre, 21 anos. A mãe de Maria José da Silva, 28 anos, está há 15 dia no hospital aguardando um leito de enfermaria para sair d emergência. “Ela está numa sala que deveria ter quatro pessoas, mas tem nove. Perto de gente entubada, que está muito pior que ela”, disse “Cheguei aqui no domingo com meu pai que estava com parada cardíaca. Fiquei bem assustado ao ver tanta gente Não temos como ficar dentro da emergência com ele porque não cabe. Então ficamo por aqui mesmo. Dormimo aqui pelo chão ou no carro” comentou Antônio de Souza 52 anos, que veio de Caruaru.

Fonte: Folha de Pernambuco

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