O protocolo clínico de atendimento para profissionais que lidam com bebês nascidos com microcefalia, que teve o lançamento adiado na última sexta-feira, deverá ser divulgado nesta terça. A ação pretende orientar os profissionais sobre como receber e atender os pacientes com a anomalia congênita devido ao aumento surpreendente das ocorrências no estado. Somente este ano, já foram registrados 90 nascimentos, número dez vezes maior que a média anual.
O protocolo está sendo desenvolvido com o apoio de uma equipe de especialistas do Ministério da Saúde, que está na capital para investigar diretamente nas unidades de saúde. O grupo ainda desenvolverá um protocolo de investigação epidemiológica para determinar os motivos do aumento de casos.
O documento é voltado para infectologistas, pediatras, neurologistas, técnicos de laboratório, entre outros profissionais. Além das equipes da Secretaria Estadual de Saúde e do Ministério da Saúde, profissionais da Universidade Federal de Pernambuco, do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães e da FioCruz também participam da força-tarefa.
Microcefalia
A microcefalia é uma condição neurológica que se caracteriza quando a cabeça do feto ou do bebê é menor do que a de outros com a mesma idade e sexo. A doença afeta diretamente o desenvolvimento cognitivo e motor dos pacientes por não permitir que o cérebro se desenvolva corretamente. Até o momento, no estado, ainda não há informações sobre mortes em virtude da microcefalia.
A maioria dos nascimentos foi registrada nos últimos três meses. Os casos se concentram no Hospital Barão de Lucena, no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira e no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife. Foram essas unidades que notaram o aumento na incidência e acionaram a Secretaria Estadual de Saúde.
O Imip e o Huoc são considerados referência no tratamento. “Foi visto um padrão inicial e solicitamos a notificação imediata. Até então, através do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, só tínhamos conhecimento de 22 casos. Com a notificação obrigatória através de fichas, ligações, formulários online e outros sistemas, o número subiu para 90”, esclareceu a secretaria executiva de Vigilância em Saúde, Luciana Albuquerque.
Investigação
O protocolo de investigação epidemiológica que deve apontar os motivos do aumento no índice ainda não tem previsão para ficar pronto. Especialistas do Ministério da Saúde estão investigando os prontuários e entrevistando as mães dos pacientes. “Montamos um Comitê de Operações de Emergência em Saúde, procedimento padrão devido ao evento inusitado. Nos reunimos quase diariamente.”, complementou Luciana Albuquerque.
Situação incomum em Pernambuco
Em condições normais, a microcefalia é causada, na maioria dos casos, por infecções congênitas, passadas de mãe para filho durante a gestação, como o citomegalovírus, a rubéola e a toxoplasmose. No entanto, em Pernambuco, a situação é diferente. “Notamos características peculiares nos achados da tomografia. Não foi nada relacionado aos tamanhos das cabeças, mas percebemos calcificações e lisencefalia (cérebro com aspecto liso) nos pacientes”.
Apesar de não ser possível, por enquanto, definir as reais causas, algumas mães informaram ter apresentado exantema (manchas avermelhadas na pele) durante a gestação. O sintoma está diretamente relacionado à dengue, zika e chikungunya. “É irresponsável dizer que essas doenças são culpadas pela microcefalia. A dengue, inclusive, é a menos provável. Estamos investigando. Pelos achados da tomografia, realmente acreditamos que a causa seja infecciosa, mas é cedo para falar”, concluiu a secretaria de Vigilância em Saúde.
Fonte: Diario de Pernambuco



