Europa também investiga zika vírus

Mais um aspecto pode reforçar a tese de que os casos de microcefalia – malformação congênita que altera o desenvolvimento dos bebês – no Nordeste tenham ligação com a proliferação do zika vírus. Um boletim do Centro de Controle e Doenças de Infecciosas da Europa de 2014 sugeriu que 72 casos de doenças neurológicas em adultos poderiam estar relacionados ao vírus, a partir do no fim de 2013. Novas pesquisas estão sendo realizadas.

Esse fator demonstraria que o vírus parece ter neuropropismo (afinidade) pelo sistema nervoso. Pesquisador e colaborador da Fiocruz, o médico Carlos Brito integra a equipe que analisa a relação entre o micro-organismo e a malformação. Segundo ele, é como se o zika tivesse uma “predileção” por atacar o sistema nervoso central. Para Brito, outro indício que reforça a ligação entre zika e microcefalia é a alta dispersão dos casos, registrados em mais de 70 cidades pernambucanas e sete estados do Nordeste. Só o mosquito (no caso, o Aedes aegypti) teria capacidade de dispersar um vírus dessa forma.

“O que faltava era uma confirmação de que o zika poderia levar à microcefalia. Agora, com dois novos casos na Paraíba, isso se confirma. Mas não é só um aspecto que consolida a tese, são vários”, explicou Carlos Brito. Amostras coletadas junto às duas grávidas às quais o pesquisador se refere confirmaram a presença de zika no líquido amniótico. Ainda segundo Brito, na Polinésia Francesa se observou o aumento de problemas neurológicos que poderiam estar relacionados à zika em 2013. “No Brasil também se percebeu um aumento grande do número de quadros neurológicas após epidemia de zika.”

O ministério informou, na segunda-feira, que o zika é a causa mais provável do aumento súbito de casos de microcefalia. Ontem, o ministro Marcelo Castro disse que se isso for confirmado, o problema pode se estender para outros estados, além do Nordeste, e outros países.  “Se o casal decidir ter filhos é bom se cercar de todos os cuidados.”

Em visita ao Brasil, a diretora da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, disse ontem que a entidade acompanha a investigação no país. “Apesar de o achado (das grávidas da Paraíba) ser de grande importância, é preciso continuar o trabalho.”
A dona de casa Cristina Maria, 34 anos, mora em Olinda e tem um bebê de um mês e 22 dias diagnosticado com a anomalia. “Está sendo difícil, porque ninguém quer uma doença para seu filho. Ele pode ficar cego, com problemas na cabeça e as mães não querem isso.”

Fonte: Diario de Pernambuco

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