A apreensão continua depois das confirmações preliminares da suspeita entre o zika vírus e o vertiginoso aumento de casos de microcefalia em Pernambuco. O que surgiu de modo assustador parece começar a ser elucidado pelos cientistas. Mas o conhecimento não afasta o medo, nem desfaz a malformação nos bebês de mulheres que contraíram a doença. O zika vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, aproveitando-se das condições de descuido ou descaso favoráveis à proliferação. A enfermidade possui o mesmo vetor da dengue, e foi identificada em 14 estados brasileiros.
A investigação epidemiológica em curso ainda persegue as informações precisas para desvendar o salto na incidência da microcefalia – redução do tamanho do cérebro dos fetos, que pode ser detectada na gestação e ocasiona problemas de desenvolvimento. O estudo é coordenado pelo Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Estado, e envolve gestantes e mães de bebês que apresentam a malformação. Os locais de referência para atendimento no Recife são o Hospital Oswaldo Cruz, o Imip, a maternidade da Encruzilhada (Cisam) e a AACD.
Interrogações acompanham a evolução da hipótese da relação entre o zika vírus e a microcefalia. Falta descobrir por que algumas mulheres que apresentaram manchas vermelhas na pele durante a gravidez tiveram bebês com a doença, e outras, não. Fatores de risco estão sendo considerados, como a existência de infecções paralelas, o momento de exposição ao vírus, a idade da mulher e a quantidade de gestações anteriores. Causas genéticas também podem explicar a resistência das pessoas a certos tipos de infecção, inclusive aquelas contraídas por mosquitos.
Embora a ligação entre zika e microcefalia tenha sido declarada como provável pelo Ministério da Saúde, é importante ressaltar que nem todas as mulheres que foram acometidas pelo vírus devem ter bebês com microcefalia. E ainda não se sabe se o aumento abrupto de casos da anomalia, que se espalha pelo Nordeste, é devido unicamente ao contato com a zika. Por outro lado, a descoberta – ainda em fase de confirmação – lança luz sobre a relação do zika vírus com complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré, a síndrome é rara, e causa paralisia progressiva nos membros do corpo, junto com fadiga muscular. Pelo menos um paciente investigado com essa condição contraiu o zika vírus previamente.
As autoridades sanitárias têm alertado para a necessidade de contenção do Aedes aegypti no Brasil há muitos anos. Os surtos repetitivos de dengue mostram o quanto estamos longe de vencer a guerra contra o mosquito. E agora, sob a ameaça crescente da zika, associada a complicações neurológicas e, possivelmente, à microcefalia, surge uma nova – e forte – razão para se ampliar a fiscalização dos locais propícios à disseminação do mosquito, bem como elevar o tom das campanhas de conscientização junto à população.
Fonte: JC



