Um desafio para a saúde pública. É isso que o zika representa hoje e deve ser nos próximos meses para Pernambuco. Além da necessidade de estabelecer como é a biologia do vírus, entender os mecanismos do adoecimento e as formas de evolução grave, será preciso dar assistência às vítimas do vírus. Levando em conta o grande número de meninos e meninas com microcefalia e a distribuição dos casos por 79 cidades pernambucanas de todas as regiões, a secretária executiva de Vigilância em Saúde do Estado, Luciana Albuquerque, planeja um arranjo de unidades e serviços sentinela divididos por macrorregionais.
Para tanto é preciso uma união de esforços tanto do Governo quanto dos municípios, diante das dificuldades que a saúde já enfrenta. “Isso vai acontecer com muita dificuldade como a gente sabe, mas a unidades que nós definirmos como referência serão aquelas que vão poder dar esse suporte a esses casos da melhor forma”, disse. Nesta força-tarefa, além da alta e média complexidade de competência estadual, caberá à atenção básica, de atribuição dos municípios, o trabalho de “formiguinha”. É nessa instância da saúde que se concentra a realização do pré-natal, que deve ser reforçado nas próximas semanas depois do protocolo que pode ser anunciado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), na segunda ou terça-feira.
O secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, informou que na Capital, onde se concentram 21,6% dos casos de microcefalia, a gestão dará priorização das gestantes na fila de ultrassonografias, a serem realizadas pelo menos no primeiro trimestre e no último trimestre da gravidez. O exame já pode identificar a malformação na barriga da mãe. Neste acolhimento a parceria do projeto Mãe Coruja será primordial. O gestor destacou que, apesar do momento ser tenso, é preciso cautela para dar segurança as mães e não assusta-las ainda mais. “O que a gente viu até o momento é que essas crianças não tiveram problemas no nascimento. Não temos observado o nascimento prematuro”, disse Correia.
Até agora, já foram identificados 268 crianças com microcefalia no Estado e 127 jovens, adultos e idosos com a Síndrome de Guillain-Barré (SGB). Esses dois perfis de agravos neurológicos precisarão de um arsenal profissional.
No caso da SBG, a doença pode regredir, e já na pesquisa sobre a incidência da síndrome neste ano os dados apontaram que 45,5% do pacientes ficaram curados. Contudo, para a microcefalia, a condição é permanente, uma vez que foi afetado o desenvolvimento do cérebro. “Ao longo do tempo é que a gente vai avaliar quanto isso vai representar para o bebê. A gente vai ter alguns mais lesados outros menos lesados”, comentou a coordenadora da infectologia infantil do Hospital Oswaldo Cruz (HUOC), Ângela Rocha.
Fonte: Folha de Pernambuco



