Há três décadas o Brasil luta para erradicar o mosquito Aedes aegypiti, muito conhecido por transmitir a engue. Mas ele também é o vetor a chikungunya e zika. Ao longo este tempo, o Aedes aegypti foi tratado como um hóspede incômodo, que por mais desconforto que nos cause, não temos coragem de colocar para fora de casa. Pelo menos esta a impressão que nos dá quando olhamos para trás e observamos os esforços empreendidos ão só pelo poder público, mas ela população em geral. Mas agora, estamos diante de ma situação muito grave. Os casos e microcefalia dobraram em uma emana em Pernambuco e já chegam a 487 vítimas. Se a zika for realmente a causa desta anomalia cerebral, estamos diante de um futuro incerto: podemos estar vendo neste momento surgir uma geração de pessoas doentes, que trará alto grau de sofrimento para si e para seus familiares, e desafios enormes às autoridades sanitárias. Outro perigo é que o vírus da zika tem relação com a Síndrome de Guillain-Barré. Uma doença autoimune que causa paralisia muscular e é significativamente letal. O problema é que mosquito encontrou no Brasil as condições ideais para sua permanência. O clima foi convidativo. A ausência de uma coleta regular de lixo, bem como a falta de saneamento e as enormes falhas no abastecimento de água também ajudaram bastante. No entanto, o fator que talvez mais tenha contribuído para a permanência e proliferação do Aedes aegypti seja o descuido da população. Esse descuido vai desde o acondicionamento errado da água armazenada em casa ao despejo irresponsável de lixo nos ambientes públicos. Sabe-se que uma simples tampa de garrafa pode armazenar água e criar um ambiente propício à proliferação do mosquito. Diante disto, é imprescindível que campanhas educativas sejam levadas a cabo pelas autoridades públicas, que igualmente não podem se resguardar da obrigação de executar ações mais severas de combate ao mosquito, seja multado quem joga lixo em ambientes públicos, seja levando seus agentes a zonas infestadas, seja forçando a entrada em locais de risco. E a população tem que entender que precisa fazer sua parte. Cada um de nós precisa procurar em casa e no trabalho pontos de focos do mosquito. Precisa denunciar ambientes contaminados ou com chances de contaminação. Necessita fazer uso da educação e não jogar lixo no chão ou despejálo nos ambientes públicos. Precisar exercer sua cidadania e cobrar das autoridades a coleta regular, o abastecimento e o serviço de esgoto. Se foi para as ruas por outros motivos, agora tem mais um, e muito sério, para protestar.
Fonte: Folha de Pernambuco



