Temendo uma expansão da epidemia de microcefalia para outros continentes, pesquisadores estrangeiros estão em Pernambuco para entender o protocolo adotado no estado para lidar com a alteração morfológica congênita. Uma médica do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos e dois representantes da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) estiveram no Hospital Oswaldo Cruz ontem. A comitiva fica no estado até hoje.
Pernambuco é o estado com mais casos de microcefalia no país, com 646 notificações, segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. No país, são 1.248 casos suspeitos. O zika vírus (provável causa da epidemia) chegou à América há 22 meses e já atinge nove países do continente americano, segundo a OMS. Ao todo, 22 países no mundo já relataram casos. Um relatório publicado em outubro pelo CDC informa que, além dos países latino-americanos, casos de zika foram registrados em países da África, da Ásia e da Oceania e ilhas do Pacífico.
A médica epidemiologista Jennifer Erin Staples, do CDC, visitou uma recém-nascida de 10 dias diagnosticada com microcefalia, que está internada no Oswaldo Cruz por causa de intercorrências clínicas. A menina apresentou bronco aspiração e está em observação na unidade de saúde desde o último dia 25. Depois da visita à paciente, Jennifer e os representantes da Opas, Jairo Andrés Méndez Rico e Pilar Ramón Pardo, reuniram-se a portas fechadas com duas médicas do Huoc: a neuropediatra Ângela Rocha e a infectologista Regina Coeli.
“Eles fizeram a visita para entender o acompanhamento que realizamos e levá-lo para uma orientação mundial”, afirmou Ângela Rocha. “Esse primeiro contato foi para ver as dificuldades e como estamos procedendo com um protocolo novo. A partir disso, vão ver que tipo de ajuda podem nos dar”, completou. O CDC e a Opas poderão apontar soluções para a eliminação do mosquito transmissor do vírus, o Aedes aegypti, e pensar em novas medidas de combate.
A comitiva internacional foi ao hospital acompanhada pelo coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Giovanini Coelho; o gerente da Unidade Técnica do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, Marcelo Wada; o consultor Nacional em Dengue da Opas no Brasil, Carlos Melo além da diretora em Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Patrícia Ismael.
Fonte: Diario de Pernambuco



