Apesar de 80% dos focos do mosquito Aedes aegypti estarem dentro das casas, o que sobra dessa conta preocupa pela falta de monitoramento. Potenciais criadouros podem estar no interior de praças, nos tetos de túneis, no recipiente destampado que passa meses acumulado em meio ao lixo não recolhido. São flagelos urbanos que favoreceram a perfeita adaptação do mosquito às áreas e que são alvos históricos de descaso. O tema é abordado numa campanha da Folha de Pernambuco, que, por meio do WhatsApp (81) 98187.9290 e das hashtags #CombateaoAedes e #FolhaPEContraoAedes, vem recebendo denúncias de usuários sobre negligências na prevenção à dengue, à chikungunya e à zika. Os relatos e flagrantes mostram que, assim como a população deve se conscientizar sobre sua responsabilidade, o poder público também tem muito o que fazer.
Na Praça Tertuliano Feitosa, no Hipódromo, no Recife, mais preocupação. Populares questionam se um lago vem recebendo tratamento com larvicidas. Já no Túnel da Abolição, na Madalena, o fosso onde deveria haver um elevador parece um berçário perfeito para o inseto. Além da água, há lixo e fezes, sinais de que faz tempo que o local recebeu cuidados sanitários. Nos canais do Coque e do Arruda, o acúmulo de garrafas PET preocupa.
Mas é na comunidade BeirinhaI, na Estância, que os males das doenças transmitidas pelo Aedes têm um rosto, como o da aposentada Maria da Guia, de 63 anos. Ela já teve dengue mais de uma vez e teme contrair outras enfermidades. “Toda hora se fala nesses novos vírus. Aqui tem demais desse mosquito e ninguém faz nada”, afirma. O lugar é o retrato do abandono. Sob um pontilhão por onde passa o metrô, entre as estações Santa Luzia e Mangueira, há várias poças de água limpa oriunda da chuva que escorre das regiões ladeiradas do entorno.
“Nunca recebemos a visita de nenhum agente de saúde. Todo ano é gente ficando doente”, dispara a líder comunitária Elisabeth Ferreira, 54, sobre a parcela de culpa da comunidade na degradação. O gerente de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses do Recife, Jurandir Almeida, garante que a cobertura dos 600 agentes que atuam na Cidade é de 100%, mas acrescenta que denúncias da população sobre eventuais criadouros dão fôlego às ações. “Com isso, é possível mapear e atender às situações em específico”, explicou, prometendo a verificação dos casos citados na reportagem.
Sobre o lixo acumulado na Beirinha I, a Emlurb informou que o serviço de coleta está regular e ocorre diariamente porta a porta. A respeito da água empoçada, o órgão esclareceu que intensificará as vistorias para tentar sanar o problema.
Fonte: Folha de Pernambuco



