O Hemope passou a adotar procedimentos de triagem mais rígidos para evitar que quem apresenta quadros virais, inclusive sugestivos de zika, doe sangue enquanto estiver doente. Se, em até 15 dias após a doação, o paciente apresentar sintomas como febre, dores e manchas vermelhas pelo corpo, deverá comunicar à instituição. Na semana passada, a medida já havia sido alvo de uma nota técnica emitida pela Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados, do Ministério da Saúde, mas a orientação era para um prazo de sete dias. Atualmente, quem alega ter tido uma virose só pode fazer uma doação de sangue um mês após a cura da doença.
A conduta surge após o relato de transmissão do vírus por meio de uma transfusão de sangue. O caso ocorreu em Campinas, em São Paulo, e está em investigação, mas sugere outra possibilidade de passagem do zika além da via sexual, apresentada em duas situações na literatura científica. “Nenhum desses fatos tem importância do ponto de vista epidemiológico, por serem casos isolados. E ainda que o vírus leve mais tempo na urina, esteja no sêmen, no próprio sangue, ele não fica ali cronicamente. Quando passa a fase aguda, ele vai embora. Ou seja, esse risco de transmissão não perduraria, como ocorre com Doenças Sexualmente Transmissíveis. Não se trata de uma DST”, esclarece o infectologista Carlos Brito.
A diretora de Hemoterapia do Hemope, Anna Fausta, também tranquiliza a população, lembrando que a triagem tem justamente o intuito de conferir mais segurança à doação e à transfusão de sangue. “Se houver o indicativo de um paciente sobre seu adoecimento após esse período, a bolsa de sangue correspondente será rastreada”, explica. Atualmente, o sangue coletado passa por averiguações da presença de hepatites B e C, doença de chagas e do vírus HIV, mas a sorologia para dengue, zika e chikungunya teria que partir de orientações específicas do Ministério da Saúde.
Fonte: Folha de Pernambuco



