Oswaldo Cruz investiga causa de mortes de bebês

Uma broncoaspiração foi a causa da morte de um bebê microcéfalo nascido em São Lourenço da Mata na quarta-feira. O parto aconteceu com 33 semanas de gestação (antes do momento ideal) e o diagnóstico da malformação congênita foi dado ainda dentro do útero. O óbito veio logo após o parto, quando a criança aspirou uma substância chamada mecônio (espécie de primeiras fezes eliminadas por um mamífero), causando obstrução de suas vias aéreas.

Já as causas das mortes dos dois bebês microcéfalos nascidos mortos no Recife, um na última sexta-feira (com 38 semanas de gestação) e o outro na última quarta (com 40 semanas de gestação), ainda estão sendo investigados pela Secretaria estadual de Saúde (SES). Um quarto bebê está internado na enfermaria no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, mas, segundo os médicos, passa bem.

De acordo com a médica Ângela Rocha, chefe da infectologia pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), a aspiração do mecônio pode acontecer com qualquer bebê, sobretudo em partos mais demorados. No caso dos microcéfalos, aumentam as chances devido às complicações de má formação. Normalmente, o mecônio é expelido nas primeiras 12 horas após o nascimento, mas algumas vezes pode acontecer antes do parto, que é quando apresenta maior risco de aspiração pelo bebê.

“A microcefalia em si facilita algumas complicações, mas não é causa de óbito. Quando o crânio não se desenvolve por qualquer motivo compromete o desenvolvimento de órgãos. E uma criança com problema neurológico se movimenta menos, então pode apresentar convulsão, dificuldade de engolir, de respirar, de se alimentar e de excretar suas secreções. São essas complicações que geram a morte dos recém-nascidos. Ou seja, a microcefalia abre espaço para outros tipos de complicações”, explica a neuropediatra do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Dulce Gomes Carvalho.

Ângela Rocha pondera que esses bebês, cujas mortes ainda não foram identificadas, podem ter outras malformações congênitas em órgãos importantes como o coração e o pulmão, por exemplo.  A médica disse que não há um tempo médio de vida de uma pessoa microcéfala. Ela pode viver normalmente, mas tudo vai depender das complicações a que está suscetível.

“Bebês mais comprometidos congenitamente têm menos chances de sobreviver. Em teoria, quanto menor o perímetro cefálico de um bebê, menos ele se desenvolve. Mas precisamos acompanhar esses casos. Estamos nos baseando nos casos de  microcefalia provocados por outras infecções congênitas. Ainda não temos informações precisas de como essas crianças com microcefalia causaada pelo zika vírus vão se desenvolver”, argumentou a neuropediatra Dulce Carvalho.

Médico faz alerta contra pânico

Dos 26 casos de óbitos de bebês no Brasil, divulgados na última terça-feira, nenhum deles era de Pernambuco. Agora o número chega a 29. O secretário estadual de Saúde, Iran Costa, diz que, “apesar de estarmos numa situação grave, que requer muita atenção, não há motivo para pânico.”

“Nascem 140 mil crianças por ano em Pernambuco. Hoje temos 900 casos de microcefalia notificados e 300 confirmados. Entendemos a preocupação das grávidas, mas as chances de um bebê nascer com microcefalia ainda é baixa, é um risco pequeno. E os óbitos, dentro dos casos com microcefalia, é mais raro ainda”, argumentou Iran. Procurados, nem a Secretaria estadual de Saúde nem o Ministério da Saúde souberam informar estatísticas relacionadas a mortes de bebês com a doença.

Para o médico Carlos Brito, pesquisador colaborador da Fiocruz, os três óbitos “não são nada diferente” do que se espera para situações de malformação congênita. “Se a microcefalia provocar uma má formação extrema, o cerébro não consegue se desenvolver. E ele é o responsável pelo controle das funções vitais do ser humano. Nesses casos, não há condições de vida”, explica.

O último boletim da SES foi divulgado na última terça, dia 14, quando já havia ocorrido uma morte de bebê microcéfalo. A assessoria da pasta informou que o caso não foi incluído no boletim porque “o óbito foi registrado no sistema fora do tempo hábil para o fechamento do balanço epidemiológico da semana.”

Fonte: Diario de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas