Mães de autistas pedem socorro

Recentemente, com o aparecimento da microcefalia associada ao zika vírus, causando pavor às mulheres grávidas e sérios danos ao turismo nacional, a questão da deficiência infantil passou a ser mais debatida no Brasil, o que pressupõe a possibilidade de termos, no futuro, políticas públicas mais eficientes no enfrentamento da questão.

A microcefalia também levantou o debate sobre o tamanho dos problemas causados às famílias e à sociedade como um todo, daí ter ganho relevância uma pesquisa da Fiocruz apontando que de cada 100 mulheres com zika duas, certamente, terão filhos microcéfalos.

Apesar da microcefalia causar pavor pelo ineditismo da questão – só do final do ano para cá o mundo tomou conhecimento de que o Aedes aegypti pode provocar este mal- ela não fica atrás em dimensão de outras deficiências mentais igualmente preocupantes.

Um desses exemplos é o autismo que acomete no momento 70 milhões de pessoas em todo o mundo e que, na população brasileira, atinge 1 em cada 100 crianças nascidas. Se comparada com a estatística da microcefalia  por zika, a do autismo tem maior dimensão, afinal a da microcefalia é feita com base nas mulheres que têm zika e não na população de um modo geral, como é o caso do autismo.

Este dia 2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo e um grupo de mães se organiza para ir às ruas em carreata no domingo pela manhã e fazer uma manifestação no Parque Dona Lindu para conscientizar a população sobre o drama diário que enfrentam para criar seus filhos.

As crianças com autismo estão sujeitas a deficiência intelectual grave, dificuldade de linguagem e de relacionamento com as demais pessoas, comportamentos repetitivos e diversas fobias e agressividade.

“Para um autista ficar em uma sala de aula é muito sofrido, o barulho é sofrido, o toque é sofrido” – afirma Adriana Monteiro, presidente da Comissão de Defesa da Pessoa com Autismo. Há crianças que nem conseguem sorrir.

Uma mãe pernambucana lembra da discriminação de que foi vítima em um shopping por parte das pessoas que ao verem seu filho autista gritar e espernear a acusaram de estar tratando mal a criança.

Problemas desse gênero são os menores. As mães reclamam que não há serviço público em Pernambuco preparado para atender a essas crianças e que o tratamento necessário para conseguir melhorar a situação desses menores não fica por menos que R$ 5 mil mensais. Impossível até para a classe média.

No domingo, nas ruas, essas mulheres pensam em lançar um  movimento para criação de uma entidade comandada por elas e que possa, com o apoio empresarial e público, instalar uma clínica popular para diminuir o drama das mães que, como elas, se sentem abandonadas e desesperançadas.

Fonte: Diario de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas