Os 20 óbitos pela febre foram registrados no Recife (9), Jaboatão (2), Timbaúba (2), Camaragibe (1), Igarassu (1), João Alfredo (1), Nazaré da Mata (1), Paulista (1), Toritama (1) e Vitória de Santo Antão (1). A maioria das vítimas tinha acima de 60 anos e doenças associadas, sobretudo a hipertensão. “Precisamos agora ter uma definição melhor se o vírus contribui para agravar as comorbidades ou se foi somente ele que causou as mortes. Dessa forma poderemos intervir para evitá-los”, disse a coordenadora do Programa de Controle de Dengue, Chikungunya e Zika de Pernambuco, Claudenice Pontes.
Pernambuco era, até a semana passada, o estado brasileiro com mais óbitos por chikungunya. Uma equipe do Ministério da Saúde está aqui, desde o mês passado, investigando as circunstâncias das mortes. Eles já concluíram a parte hospitalar, com visita a todas as unidades de saúde onde os pacientes passsaram, e seguem com a coleta de dados domicilares. Até o dia 15 deste mês deverão ser apresentados dados preliminares.
Um protocolo de investigação de óbitos por chikungunya está sendo criado depois de uma reunião realizada na semana passada em Brasília, para replicar a investigação feita aqui em outros estados. O documento será finalizado na próxima segunda-feira, quando será iniciada a definição dos municípios e estados prioritários. O consenso dos especialistas era de que, até então, não era uma característica da chikungunya um número elevado de óbitos.
Acredita-se que há uma subnotificação, hipótese não descartada pela Secretaria de Saúde, mas também em uma mudança de característica do vírus. “É esperada uma taxa de ataque do chikungunya de 30%. Isso daria mais de 1,8 milhão de casos no estado. Mas há uma dificuldade de enxergar isso do ponto de vista de notificação porque ela é passiva. Os óbitos podem ser explicados por uma maior percepção, como por uma mudança no padrão que deixou o vírus mais agressivo”, afirmou o professor da UFPE e membro do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde, Carlos Brito.
Também foi registrado um crescimento dos óbitos por dengue, doença predominante nas notificações de arboviroses, de um para cinco. Nas cidades de Caruaru, Jaboatão, Olinda, Timbaúba e Venturosa. Outras 173 mortes seguem em investigação. No mesmo período do ano passado eram 25 óbitos suspeitos de dengue, dos quais oito positivos.
Os números
Chikungunya em Pernambuco
- 18,6 mil casos de chikungunya em 2016
- 3,7 mil casos confirmados = aumento de 859% em uma semana nas confirmações
- 184 municípios e Fernando de Noronha com notificações
- 20 mortes pela doença – até o dia 23 de abril eram 12
Mortes
- 9 Recife
- 2 Jaboatão dos Guararapes
- 2 Timbaúba
- 1 Camaragibe
- 1 Igarassu
- 1 João Alfredo
- 1 Nazaré da Mata
- 1 Paulista
- 1 Toritama
- 1 Vitória de Santo Antão
Outras arboviroses
Dengue
- 67,1 mil casos notificados
- 12,3 mil confirmados
- 5 mortes
- 184 cidades
Zika Vírus
- 9,2 mil notificados
- 23 confirmados
- 142 cidades
Microcefalia
- 1912 notificados
- 339 casos confirmados
- 920 descartados




