O crack que assusta prefeitos brasileiros e também de grande parte das cidades pernambucanas conforme pesquisa divulgada segunda-feira pela Confederação Nacional dos Municípios ocupa o terceiro lugar entre as substâncias mais consumidas pelos usuários de drogas em tratamento na rede municipal do Recife. A Secretaria de Saúde da capital estima que pode fechar o ano com um crescimento de 30% a 40% na demanda desse tipo de usuário nos seis Centros de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas.
A tendência é manter o aumento registrado entre 2009 e 2010, adianta o secretário-executivo da Saúde, Tiago Feitosa. No ano passado, 1.040 usuários de crack foram tratados nos Caps da cidade, representando um aumento de 38% em relação a 2009. Depois do álcool e do cigarro, a droga é a que mais motiva a procura pelos Caps AD, sendo, portanto, a primeira entre as ilícitas, superando a maconha. A dependência se dá mais rapidamente com o crack, avalia.
Ele confirma a impressão revelada na pesquisa pelos prefeitos: o impacto da droga na rede de saúde. A dependência da droga tem forçado a ampliação da rede. Contratamos 100 novos profissionais para atuar nos seis Caps AD e nos albergues, além de 200 outros para apoiar os Núcleos de Apoio ao Saúde da Família, contabiliza. Seis equipes atuam em consultório de rua e no próximo ano devem ser criados mais dois albergues. Estamos dando formação continuada em serviço, informa, apontando outro desafio.
Marcela Lucena, gerente de Saúde Mental do Estado, reconhece que 13 Caps AD é número insuficiente para todo Pernambuco. Além do Recife, só outros seis municípios contam com o serviço. A secretaria Estadual de Saúde, segundo ela, vem discutindo apoio financeiro aos municípios para acelerar a implantação. Ana Claudia Callou, presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado, explica que, além do incentivo já dado pelo Ministério da Saúde e o apoio requisitado ao Estado, as prefeituras têm desafios: encontrar profissionais e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Para o secretário executivo de Saúde do Recife não basta expandir a rede de saúde. A política de assistência e prevenção só funciona de forma integrada com a Educação, a Assistência Social e outras áreas, como começamos a fazer no município. Sem isso, o usuário acaba voltado à dependência e retorna ao Caps.
Rafael West, gerente de Proteção Social Especial de Alta Complexidade da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado, explica que o exercício da interação entre as áreas tem sido produtivo. Nosso comitê técnico, com representação de vários setores do governo, vem se reunindo semanalmente. A ideia, segundo ele, é que a rede de centros de acolhimento em implantação apoie a de Caps da saúde. O Programa Atitude (Atenção Integral aos Usuários de Drogas e seus Familiares) tem casas de acolhimento em Caruaru e Bom Jardim, no Agreste, Recife, Cabo de Santo Agostinho e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana. As unidades funcionam 24 horas. Há ainda atendimento itinerante. A promessa é garantir acompanhamento em casa após a saída desses serviços e ajuda para aluguel para quem não tem para onde voltar.
Fonte: JC



