Pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção deDoenças dos Estados Unidos (CDC) descobriram que gestantes que contraem o zika vírus no primeiro trimestre da gravidez têm de 1%a 13%de chances dedar à luz um filho com microcefalia. O estudo utilizou, entre outros, dados dos nascimentos ocorridos em Salvador, na Bahia, entre julho de 2015 e fevereiro deste ano. “Encontramos forte relação entre a contaminação no primeiro trimestre e o risco de malformação. A associação entre a contaminação e os últimos dois trimestres, por outro lado, são desprezíveis”, afirmam os autores do trabalho. A conclusão foi publicada anteontem e muma revista científica britânica. O estudo, capitaneado pelo biólogo da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, Michael Johannsson, estabeleceu a relação entre a contaminação do vírus zika e a microcefalia a partir do estudo de surto da arbovirose em três países. No Brasil, ele não confiou nos dados disponíveis. Por isso, a probabilidade de a gestante ter um filho microcéfalo após ser contaminada no primeiro trimestre de gravidez varia entre 1% (melhor cenário) e 13% (pior cenário). As diferentes situações de taxa de transmissão (de 10%a 80%), o possível sobrerregistro (de 0%a 100%) e uma taxa incerta de casos de microcefalia (2 a 12 casos a cada 10 mil nascimentos) foram as razões principais para as dúvidas. A pesquisa foi realizada ainda com um grupo de 270 mil pessoas na Polinésia Francesa, no qual estimava-se que 66%da população de gestantes tinham sido infectados entre 2013 e 2014. Foi feito ainda um inquérito sorológico na Ilha de Yap, na Micronésia. Os autores concluem que é muito grande a probabilidade de que os estados restantes do Nordeste do País também sigam o mesmo padrão de risco. Aumento Mil novecentos e sessenta e oito notificações de microcefalia já foram registradas no Estado, de acordo como último boletim da malformação divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). Desses, 1.608 foram descartados e outros 359 confirmados. O restante continua sob avaliação. Há 30 dias, eram 1.883. Um mês antes disso, 1.819. Um aumento de quase 10% em dois meses. O Estado é líder de confirmações no País, seguido da Bahia, com 247.
FAV recebe representantes do Fundo das Nações Unidas
Representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estão fazendo uma vistoria para entender como o Nordeste tem tratado as famílias e as crianças com microcefalia, depois do surto que afeta o País desde o segundo semestre de 2015. A ideia é formular uma estratégia de nível global de apoio a essas famílias. Pernambuco, que já soma 1.968 casos de microcefalia, tornando-se o recordista mundial de notificações, é o principal foco da análise e recebeu os especialistas que defenderam a necessidade de descentralização do serviço para o Interior e maior apoio do governo. Na manhã de ontem, durante visita à Fundação Altino Ventura, referência no atendimento oftalmológico dessas crianças, a equipe concluiu que é preciso buscar urgentemente alternativas para o atendimento dos pacientes no interior. Com três irmãos microcéfalos acima de 50 anos, o assessor global para Controle e Prevenção do Zika Vírus da Unicef, Koenraad Vanormelingen, explicou como a malformação é encarada na Bélgica, seu país de origem. “Temos uma segurança social universal. Na Bélgica, as crianças recebem toda uma atenção e educação especial e são amparadas no trabalho e em ambientes sociais”, disse. Doação A FAV recebeu ontem um cheque de R$ 10 mil para a aquisição de kits de estímulo visual e auditivo para 31 crianças atendidas pela instituição. O dinheiro foi doado pelo Portal de Financiamento coletivo Viabilizze, que promoveu uma campanha pela internet. Os kits são compostos por objetos que as crianças já fazem uso durante o tratamento e poderão ser utilizados em casa. Além desses kits, que serão sorteados para as crianças atendidas pela FAV, 150 óculos foram doados por uma ótica do Recife para crianças que precisam da utilização de lentes. Para o cofundador da Viabilizze, Flávio Oliveira, ressaltou a importância da participação da sociedade. “O engajamento da população foi fundamental para que a curtida das pessoas tornasse realidade essa doação que a gente está fazendo. Foi surpreendente, a ideia era atingir a meta em uma semana, mas chegamos às 10 mil curtidas, em apenas 3 dias.”
Emissão de documentos
Uma ação de emissão gratuita de documentos de identidade para crianças com microcefalia ocorre, amanhã, no Clube Português do Recife, situado na avenida Conselheiro Rosa e Silva, nas Graças. O mutirão, que disponibilizou 150 cédulas só na unidade, ocorre das 8h às 12h. A iniciativa é da Gerência de Prevenção e Articulação Comunitária, por meio do Projeto Resgatando Cidadania. Há cinco anos que o projeto existe, é a primeira vez que há uma ação voltada para bebês com microcefalia. “É por meio da carteira de identidade que queremos levar a cidadania para cada bebê e suas mães também”, ressaltou um dos membros do projeto, Silas Buriti. O documento é importante, uma vez que é com a apresentação dele que bebês diagnosticados com microcefalia podem se inscrever no Benefício de Prestação Continuada (BPC). O pagamento do BPC corresponde a um salário mínimo e só pode recebê-lo quem possui renda inferior a um quarto de salário mínimo, atualmente em R$ 220. O Resgatando Cidadania deve ter a próxima parada em Caruaru e contemplará bebês microcéfalos. Público geral Para o público geral, a emissão das identidades ocorre simultaneamente nas escolas estaduais Cosme e Damião, no centro de Igarassu, e Padre Nercio Rodrigues, na Linhado Tiro. O horário de atendimento também será das 8h às 12h. O mutirão ocorre desde a última quinta-feira e segue até amanhã. A estimativa é que sejam emitidas 650 carteiras de identidade. O projeto tem como objetivo atender comunidades carentes, escolas públicas e associações sem fins lucrativos. Atuam como parceiros o Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) e a Defensoria Pública de Pernambuco.
Fonte: Folha de Pernambuco



