Planos vão cobrir testes para detectar zika vírus

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu incorporar exames para detecção do zika vírus à lista que estabelece a cobertura obrigatória dos planos de saúde. A medida foi publicada no Diário Oficial da União de ontem e deve entrar em vigor em 30 dias. Os testes previstos são o PCR (Polymerase Chain Reaction) para detecção do vírus nos primeiros dias da doença; o teste sorológico IgM, que identifica anticorpos na corrente sanguínea; e o IgG para verificar se a pessoa já teve contato com zika em algum momento da vida. No Recife, quatro laboratórios da rede particular realizam os exames. O preço do PCR varia entre R$ 500 e R$ 800 nas unidades e fica pronto entre 7 e 15 dias.

Para realizar o exames IgG e IgM, o paciente desembolsa na capital pernambucana entre R$ 150 e R$ 400 por cada um. O resultado é entregue entre 10 e 23 dias. A decisão da ANS assegura os exames para gestantes, bebês filhos de mães com diagnóstico de infecção pelo vírus e recém-nascidos com malformação congênita sugestivas de infecção pelo zika. Esses são os grupos considerados prioritários para detecção de zika devido à associação com o risco de microcefalia. A rede pública realiza o PCR e o IgM. O material é recolhido no Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen/PE) e enviado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fiocruz, no Rio de Janeiro.

A diretora de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Karla Coelho, afirmou que a ANS revisou de forma extraordinária o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde para incluir os testes de zika por haver emergência em saúde pública decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a ANS, a medida é “mais uma ação da Agência no enfrentamento da situação”.

Por meio de nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade representativa de operadoras de planos e seguros de assistência à saúde, afirmou que as empresas “cumprirão as determinações do órgão regulador, estando empenhadas em assegurar aos beneficiários o atendimento adequado para diagnóstico e tratamento do zika vírus”. Entretanto, a FenaSaúde observou que a iniciativa poderá representar custos adicionais aos planos. “Mas não é possível, no curto prazo, estimar o impacto econômico-financeiro dessa incorporação nas despesas assistenciais”, diz o texto.

Também por meio de nota, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) garantiu que “reconhece a importância do combate às infecções do vírus zika e orienta suas associadas a cumprirem integralmente as regras da ANS”. No entanto, de acordo com a entidade poderá haver limitações, principalmente no interior do país, devido à necessidade de estrutura laboratorial para os exames. Ainda segundo a Abramge, os testes têm fatores limitantes. O PCR tem diagnóstico preciso quando realizado no período de pico da doença, que normalmente dura cerca de três dias. Após esse prazo, os exames de sorologia IgM ou IgG, que buscam o anticorpo da doença, não têm diagnóstico totalmente preciso, podendo haver casos de falso negativo.

Fonte: Diario de Pernambuco

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