Interação entre dengue e zika em investigação

Os testes da vacina brasileira para dengue investigarão também as interações com o zika. O objetivo é verificar se a combinação entre os dois patógenos no organismo pode induzir formas graves do vírus. A fase três da pesquisa do imunizante, produzido pelo Instituto Butantan em parceria com o National Institutes of Health (NIH), dos EUA, iniciou neste mês. Uma amostra de 17 mil voluntários, entre 2 e 59 anos, de 13 cidades participam do ensaio clínico. O Recife está entre os escolhidos, junto ainda com cidades como São Paulo, Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE),Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO) e São José do Rio Preto (SP). “O ensaio clínico de fase 3 (em humanos) da vacina da dengue será a única oportunidade que teremos para estudar as possíveis interações recíprocas entre o vírus da dengue como zika”, disse o diretor da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e Produção (DDTP)do Butantan,Paulo Lee Hoo. A informação foi dada à Agência Fapesp durante a 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que termina amanhã, na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Estudos publicados recentemente indicam que uma pessoa infectada pela dengue pode ser mais vulnerável ao zika, uma vez que anticorpos produzidos para combater subtipos do vírus da dengue se ligam às partículas virais do zika de uma forma incompleta, facilitando a ação. Os resultados fazem parte de análises in vitro. “Pode ser que na infecção natural, em humanos, seja de forma um pouco diferente.Mas,se realmente for assim, será preciso desenvolver uma vacina contra os quatro tipos de dengue mais o zika.” Paulo Lee Hoo destacou que os voluntários na pesquisa da dengue serão acompanhados por uma equipe médica por cinco anos. Nesse período será checada a capacidade de produção da vacina,mas,agora, também será observada a evolução clínica caso venham a ter contato como zika. A expectativa do Butantan é concluir os testes até 2018 e disponibilizar a vacina para registro. Sobre uma vacina direcionada para o zika, os cientistas do Butantan avaliam possibilidades. Uma é de que seja viável construir o imunizante de quimera (substituição de proteínas pré-membrana (prM) do vírus da dengue pelas do zika), do vírus inativado do zika ou do vírus atenuado.

Fonte: Folha de Pernambuco

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