Farmácias desabastecidas

Há quase um ano, o Conselho Regional de Farmácia de Pernambuco (CRF-PE) divulgou um levantamento que mostrou desabastecimento em 12 farmácias de medicamentos especializados em todo o Estado. Naquela época, segundo a entidade, mais de 50% das medicações que deveriam ser adquiridas pelo Estado não se encontravam em farmácias e unidades de saúde. “De lá para cá, nada mudou. Todas as semanas a gente vê a população denunciando essa situação. Há pouco tempo, fizemos uma denúncia na Defensoria Pública sobre a falta de medicamentos e farmacêuticos. Solicitamos providências”, diz a vice-presidente do CRF-PE, Joyce Nunes dos Santos.

Para reforçar as cobranças que a sociedade tem feito ao Estado, a entidade pretende realizar um protesto, até o próximo mês, para reforçar as denúncias de irregularidade no fornecimento de medicamentos de alto custo e do componente especializado, como insulinas. “Os pacientes recebem um mês e passam outros seis tentando outra. Além disso, há atraso generalizado da entrega de tiras para medir glicose”, frisa Joyce. Ela acrescenta que essa inconstância leva a pessoa com diabetes a não fazer o automonitoramento da glicemia, o que favorece o agravamento da doença. “É assim que o paciente começa a se prejudicar: alimenta-se com a glicose lá em cima e aplica insulina numa dosagem que poderia ser ajustada. Aparecem as complicações e os internamentos, que geram um custo maior para o sistema de saúde.”

O CRF-PE ainda alega que a gestão estadual não cumpre com o repasse regular da contrapartida financeira para os municípios no custeio de medicamentos básicos desde 2007. O levantamento, divulgado em 2015 pela entidade, revela que são transferidos apenas cerca de 50% do valor anual previsto. Para o CRF-PE, esse desfalque agrava o acesso às medicações. Entre elas, estão fármacos para controlar doenças que mais matam no Brasil, como hipertensão e diabetes. “Observamos que falta também medicamentos para pacientes que passaram por transplantes e que convivem com várias outras doenças”, destaca Joyce Nunes dos Santos.

Fonte: Jornal do Commercio

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