Os 70 mil moradores da Várzea, Zona Oeste do Recife, não podem descansar um só instante na luta contra o Aedes aegypti. O bairro desponta no ranking entre os que apresentam risco muito alto de infestação pelo mosquito que transmite dengue, chicungunha e zika, segundo o 3º Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) deste ano, divulgado pela Secretaria de Saúde do Recife. Para cada 100 domicílios na Várzea, 7,5% despontam com focos de reprodução do mosquito. O ideal é que o índice não passe de 0,9% – taxa que reflete situação sob controle em relação ao combate à tríplice epidemia. O levantamento, feito a cada dois meses, mostra que a média de todos os 94 bairros do Recife chega a 1,69%, o que sugere uma situação de risco médio de surto das arboviroses na capital pernambucana.
O atual LIRAa é praticamente igual ao segundo deste ano, que foi de 1,68%. Já o primeiro levantamento teve taxa de 1,1% – índice que, nos últimos anos, fez a capital chegar mais perto do cenário ideal. “Percebemos que o número de casos das arboviroses tem se aproximado da média esperada para o período. Mas ainda não é hora de a população relaxar. Todos precisam fazer a sua parte no trabalho de combate ao mosquito e continuar a permitir a entrada dos agentes em suas casas, fazer limpeza adequada nas residências e ter cuidado com o armazenamento de água”, alerta a secretária-executiva de Vigilância à Saúde do Recife, Cristiane Penaforte.
Além da Várzea, outros cinco bairros compõem a lista das localidades com risco muito alto de infestação. Entre eles, está o Alto José Bonifácio (Zona Norte), que aparece no ranking desde o 1º LIRAa. No início do ano, o Alto José Bonifácio tinha LIRAa de 4,3%. Passados dois meses, chegou a 6%. Agora, alcançou 6,5%. “É um bairro que apresenta um problema sério de intermitência de água”, explica Cristiane, ao se referir a uma condição muito favorável para a reprodução do Aedes. Este ano, segundo a Secretaria de Saúde do Recife, o Alto José Bonifácio só recebeu um mutirão de combate ao mosquito. Durante a ação, realizada no fim de semana, agentes fazem eliminação dos focos do Aedes e tratamento dos criadouros, além de orientar os moradores sobre formas de evitar a proliferação do vetor da dengue, chicungunha e zika.
Preocupada com o cenário da Várzea, a secretaria realizou, no último fim de semana, mutirão na comunidade UR-7. Foram inspecionados 634 imóveis. Neles, os agentes precisaram tratar 326 depósitos, considerados criadouros em potencial. “No próximo fim de semana, vamos promover mais um mutirão no bairro. Desta vez, será na comunidade Rosa Selvagem”, avisa Cristiane. Desde o começo do ano, já ocorreram quatro mutirões na localidade. “É um bairro muito grande e populoso, com várias características que propiciam a proliferação do Aedes. Há muita área verde, rio e sombra. Tudo isso atrai os insetos.”
Na Várzea, entre os depósitos predominantes para o Aedes, estão o lixo do bairro, sucatas e entulhos. Quem mora na Rua Feliciano dos Santos, mais conhecida como Beira-Rio, reclama dos mosquitos que aparecem na área por causa do lixo acumulado num canal. “Os próprios moradores sujam as ruas. Isso prejudica as pessoas que cuidam da casa para evitar o mosquito. A prefeitura passa aqui e limpa tudo, mas não adianta, pois as pessoas saem jogando lixo”, lamenta a lavadeira Maria Cícera de Lima, 48 anos.
Fonte: Jornal do Commercio



