Atenção a mulheres agredidas

Depois do recorde conquistado por Pernambuco no último mês, quando 37 mulheres foram assassinadas no Estado, a mais alta média mensal registrada desde 2007, o Recife inaugurou, no Hospital da Mulher Dra. Mercês Pontes Cunha, um espaço completamente dedicado ao acolhimento de vítimas de agressão. Em um mesmo ambiente, elas poderão receber atendimento médico, ser submetidas à perícia e formalizar o registro policial. A ideia é que elas cheguem ao local sem a necessidade de uma triagem em outro centro médico. O serviço, que funcionará 24 h, deverá evitar a revitimização, uma reclamação recorrente de especialistas em direitos humanos. É o primeiro serviço nesse formato no Estado. Localizado em um anexo ao lado do prédio principal do hospital, para evitar a exposição da paciente, o Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência Sony Santos foi preparado para causar um efeito de aconchego às usuárias. As dependências do local, que têm suítes com camas, no lugar das tradicionais macas, foi decorado com imagens de mulheres e frases motivacionais nas paredes. Na sala onde serão realizadas as perícias médicas legistas, por exemplo, as mulheres lerão que “só o amor pode superar a dor”. “Nossa ideia é que, neste espaço, a mulher seja acolhida e receba todo o apoio necessário. A violência contra as mulheres se tornou cotidiana e precisamos evitar que elas passem por constrangimentos. Aqui, em um único lugar, terão atendimento médico, mas também a possibilidade de prestar um Boletim de Ocorrência”, ressaltou o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. De acordo como secretário de Defesa Social do Estado, Alessandro Carvalho, o número de subnotificação desse tipo de crime é alto. “Nesses casos, a mulher precisa ir ao médico, depois pegar um transporte, ir registrar a ocorrência e ainda seguir para o IML para fazer a perícia. Por causa disso, muitas se cansam e acabam não finalizando, o que prejudica a notificação ou a materialidade do crime. Agora, as mulheres já resolverão tudo aqui mesmo, sem precisar repetir a mesma história várias vezes.” Para a titular da Secretaria da Mulher, Elizabete Godinho, o desejável é que as mulheres não precisem do atendimento. “Precisamos de políticas de conscientização e prevenção, além do fim da cultura do machismo”, destacou. A ativista dos direitos femininos, Vera Baroni, elogiou a iniciativa. “O ambiente é importante para que elas não precisem ser vítimas novamente”, observou, em relação ao novo serviço. Mas também destacou a importância de sinalizar que o hospital oferece esse atendimento. “Há poucas indicações na área externa do hospital para que as mulheres possam chegar aqui com autonomia”, finalizou.

Fonte: Folha de Pernambuco

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