Fraude no Hospital das Clínicas de SP

SÃO PAULO (Folhapress) – A Polícia Federal realizou na manhã de ontem uma operação conjunta com o Ministério Público Federal em São Paulo para desarticular um esquema de desvio de recursos públicos na compra de equipamentos para implante em pacientes com o mal de Parkinson. As fraudes aconteciam no Hospital das Clínicas – o maior do País -, segundo as investigações. O prejuízo aos cofres públicos, de acordo coma polícia, pode chegar a até R$ 18 milhões. Segundo as investigações do Núcleo de Combate à Corrupção e Improbidade Administrativa, pacientes com mal de Parkinson eram orientados por um neurocirurgião e um diretor do hospital a procurarem a Justiça para conseguirem marca passos cerebrais. Com decisões judiciais, o hospital adquiria equipamentos sem a necessidade de licitação, que custavam cerca de quatro vezes mais que o preço real. Batizada de Dopamina, a operação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão. Foram alvos de condução coercitiva (quando o investigado é levado para depor e depois liberado) o diretor administrativo do setor de neurocirurgia do hospital, Waldomiro Pazin, o médico cirurgião Erich Fonoff – responsável por 75% das cirurgias investigadas -, Vitor Dabbah, dono da empresa Dabasons, e Sandra Ferraz, funcionária da empresa. Os beneficiados comas decisões tinham quadros semelhantes ou até menos graves que outras pessoas que estavam na fila para conseguir o exame. O esquema funcionou entre 2009 e 2014, quando foram realizadas, com ordem judicial, 154 cirurgias de implante para tratamento de Parkinson com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste período, não houve licitação para compra de marcapassos de maneira regular e 82 pessoas não conseguiram operar de maneira regular. Segundo o Ministério Público Federal, cada marcapasso, que deveria custar cerca de R$ 27 mil com licitação, saía a R$ 117 mil. Com as 154 cirurgias, o prejuízo para o SUS passa dos R$ 13 milhões. Para a Polícia Federal, o dano aos cofres públicos pode chegar aos R$ 18 milhões com a realização de cerca de 200 cirurgias que estão sendo apuradas. Em nota, o HC informou que colabora com as investigações desde fevereiro e que entregou todos os documentos e forneceu todas as informações solicitadas. A reportagem não conseguiu contatar os investigados ErichFonoff e Waldomiro Pazin. A defesa da Dabasons disse que “a empresa não vende produtos superfaturados nem para o SUS nem para qualquer outro órgão público”.

Fonte: Folha de Pernambuco

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