Explodem casos de doença respiratória

O vírus H1N1 continua a protagonizar os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), condição em que se apresenta a forma de gripe mais forte, associada a maiores complicações. Só neste ano, Pernambuco já acumula 1.025 casos notificados da síndrome, com 60 confirmações de H1N1. Nesse cenário, destaca-se o aumento de 46% no total de notificações da síndrome, em comparação ao mesmo período de 2015, quando foram registrados 700 casos. Outro detalhe preocupante é o avanço no número de vítimas fatais: 74 dos registros de SRAG evoluíram para o óbito (14 deles associados a H1N1). Em 2015, foram 23 mortes relacionadas à síndrome, mas sem relação com o vírus. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento no número de óbitos associados à síndrome é de 222%.

É importante recordar que, no ano passado, não houve confirmação oficial para H1N1 no Estado. Essa realidade sugere que o aumento dos registros de SRAG pode estar relacionado ao vírus. “Podemos até inferir que a maioria dos óbitos deste ano que permanece em investigação tem o H1N1 como causa. Esse raciocínio é o mesmo para os óbitos por SRAG em que não foi possível especificar o agente causador da síndrome. Nesses casos, também deduzimos que H1N1 é o protagonista”, informa o diretor- geral de Controle de Doenças e Agravos da Secretaria Estadual de Saúde (SES), George Dimech. Os dados, divulgados ontem, consideram as notificações feitas até o dia 9 de julho.

“Apesar de muitos registros não terem sido elucidados, acreditamos que o aumento dos casos da SRAG tem mesmo relação com H1N1. Ainda vejo muita gente gripando”, diz a infectologista Vera Magalhães, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Na avaliação da médica, as estatísticas de SRAG continuam a crescer porque um outro vírus, que não aparecia nos registros oficiais de 2015, desponta em segundo lugar no ranking dos agentes mais relacionados à síndrome. Trata-se do metapneumovírus, que se manifesta por sintomas bem semelhantes ao do H1N1. “A questão é que a vacina contra gripe não oferece proteção contra o metapneumovírus. E em pessoas que fazem parte dos grupos de risco, como aquelas que têm asma, o metapneumovírus pode se manifestar de forma mais grave. De forma geral, contudo, é um agente que causa quadros respiratórios mais leves”, explica Vera.

O vírus sincicial respiratório (VSR) divide com o metapneumovírus o segundo lugar no ranking dos agentes relacionados à síndrome. A vacina de gripe também não oferece proteção contra o VSR, que protagonizou os casos de SRAG no ano passado. Em 2015, das 69 amostras positivas para vírus respiratórios, 49 foram relacionadas ao VSR. A SRAG preocupa porque exige internação e tem como sintoma clássico um forte desconforto respiratório. A maioria da população, contudo, tem forma atenuada de gripe.

Fonte: Jornal do Commercio

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