A retirada da exclusividade da manipulação do plasma da Hemobrás pelo Ministério da Saúde foi criticada pelo ex-secretário de Saúde de Pernambuco, o hematologista Aderson Araújo. “A Hemobrás é uma empresa especializada em tratar o plasma. O ministério tem o objetivo de traçar políticas públicas, fazer a fiscalização e coordenar grandes programas, como os que são desenvolvidos pela Fiocruz, Hospital do Câncer e laboratórios estaduais”, diz.
Ele alega que não entende a lógica dos hemoderivados passarem a ser manipulados pelo Ministério da Saúde. Araújo ocupou o cargo de secretário durante o governo de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Ontem, a reportagem do JC entrou em contato com a assessoria do Ministério da Saúde, que não respondeu aos questionamentos.
Um dos fatores que contribuíram para a criação da Hemobrás foi a descoberta da Máfia dos Vampiros, que envolvia funcionários do Ministério do Saúde e empresários na fraude de licitações para a aquisição de hemoderivados.
A corrupção, entre outros fatores técnicos, também levou à lentidão nas obras da Hemobrás (ver matéria ao lado), o que resultou na dispersão do polo farmacoquímico de Goiana, que seria instalado próximo à estatal, às margens da BR-101 Norte. A previsão inicial era de que mais de 10 empresas se implantassem no local, totalizando um investimento de R$ 1 bilhão, que geraria 1,2 mil empregos. “Se a Hemobrás for concluída, é fantástico, porque é um empreendimento que vai agregar novas tecnologias e trazer mais empresas”, afirma o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Thiago Norões. Algumas ds empresas previstas, como a Novartis, foram para outros locais, como Jaboatão dos Guararapes.
Fonte: Jornal do Commercio



