Um dos principais legados do cirurgião Ivo Pitanguy, a enfermaria de cirurgia plástica e reparadora da Santa Casa de Misericórdia, que chega a fazer gratuitamente até duas mil cirurgias por ano, será mantida após sua morte. De acordo com a família do médico, a missão de assumir o serviço caberá a um dos netos de Pitanguy, Antonio Paulo. “Ele (Antonio Paulo) está no seu segundo ano de pós-graduação em cirurgia plástica e dará continuidade a esse trabalho social”, contou Gisela, filha de Pitanguy.
A família ainda não informou detalhes sobre quem serão os responsáveis pela atividades do Instituto Ivo Pitanguy, ligado à PUC-Rio e à Fundação Carlos Chagas, e cujo serviço de residência médica funciona na Santa Casa. Pelo curso de pós-graduação em cirurgia plástica, já passaram mais de 600 profissionais de 42 países.
Antonio Paulo, se disse honrado por seguir os passos do avô: “Pretendo me dedicar o máximo possível a esse trabalho na Santa Casa. Considero uma missão e espero seguir seu exemplo. Uma grande lição que meu avô deixou é que não existia duas maneiras de se tratar um paciente. Ele tratava igualmente os pacientes da Santa Casa e os do seu consultório privado”, disse.
Pitanguy morreu em casa, na Gávea, após uma parada cardíaca. Ele tinha 93 anos, embora em seus documentos constassem 90 anos, já que ele foi registrado em 1926, três anos após seu nascimento. Seu corpo foi velado ontem por cerca de 200 familiares, amigos e personalidades no Memorial do Carmo, no Caju. O corpo do cirurgião foi cremado após uma oração celebrada pelo padre Omar. Ao final, todos cantaram Peixe Vivo, da qual Pitanguy gostava muito.
Acadêmicos, políticos e personalidades fizeram questão de prestar homenagens ao cirurgião. Ele recebeu coroas de flores do governo estadual, da Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual era membro desde a década de 1990, da PUC-Rio e de diversas entidades. Pacientes que tiveram a vida modificada pelo cirurgião fizeram questão de se despedir. Uma delas foi a servidora pública Márcia Barra, de 51 anos, que passou pela primeira operação quando ainda era bebê. “Nasci com uma fissura no palato e meus pais temiam que eu não conseguisse falar. Mas graças às cirurgias (foram seis) hoje é quase imperceptível. Até falo idiomas. Só tenho a agradecer”.
Secretaria-geral da ABL, Nélida Piñon disse que Pitanguy combinava generosidade e talento: “Era um gênio e um brasileiro que honra a noção de dignidade que nós temos. Amava o Brasil como poucos”.
Fonte: Jornal do Commercio



