Depois das boas emoções e do lampejo de esperança oferecidos pela abertura das olimpíadas, encaramos a dura realidade. Festa linda, mas no dia seguinte a notícia dava conta de que uma das soluções propostas pelo governo para saúde pública, seria criar um plano de cobertura limitada, chamado plano de saúde popular ou de cobertura reduzida.
Será que estão propondo emenda constitucional, adicionando ao texto que agora o direito é à saúde limitada, não universal nem de qualidade? Será que querem privatizar o atendimento básico? Limitada, só se for a capacidade dos que estão passando pelo ministério onde deveria ser cumprida seriamente a política de saúde do país, mas que vem sendo ocupado seguidamente por políticos sem intimidade com a área.
Chegam para passar uma chuva, promover sua próxima candidatura, dizer bobagens, liberar verbas, lançar três ou quatro projetos que sequer terão tempo de executar. Tomam posse sem preparo para a grandeza do cargo, procuram ideias e tentam marcar a gestão que será curta. Mobilizam equipes, gastam dinheiro e são logo substituídos, atendendo à necessidade política da ocasião. Levam consigo os projetos bizarros, deixando a saúde pública mais moribunda do que encontraram.
Um país que tem artistas capazes de organizar uma festa como aquela, não teria uma equipe de gestores para dar rumo a saúde, passo após passo, pedra sobre pedra, degrau após degrau? Gente imunizada contra ingerências políticas, vacinada contra o improviso e prevenidas contra o entreguismo, a supressão de direitos e o descumprimento da lei? Não cheira bem dizer que vamos avançar classificando a saúde como limitada ou ilimitada.
Ao que sei, a sociedade já definiu que aprova ações e recursos para fortalecimento do SUS e não o contrário. Ao gestor, caberia implementar as medidas nesse sentido e não se achar portador de ideias iluminadas, fazendo de seus palpites um modelo a ser seguido pela nação. É mesmo um país de contrastes.
Fonte: Jornal do Commercio



