Viajantes que passaram pelo Nordeste do Brasil são impedidos temporariamente de doar sangue em hemocentros localizados em áreas onde as arboviroses não são endêmicas. A espécie de quarentena tem sido adotada em localidades que não registraram surtos no Brasil, a exemplo do Sul, onde as doenças tiveram pouca penetração até o momento. A regra é que quem passou por estados nordestinos só pode fazer doação de sangue 30 dias após o retorno ao estado de origem, mesmo que não apresente sintomas das doenças. A estudante Eutalita Bezerra, 29 anos, foi pega de surpresa com a negativa em um hemocentro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na última semana. Depois de uma temporada de férias no Recife e na Bahia, voltou para casa no início deste mês e, atendendo a uma rede de solidariedade que buscava doações, se dirigiu para a coleta. “A atendente estava fazendo todas as perguntas comuns para uma doação. Até então, estava apta. Foi ai que ela perguntou se eu tinha viajado para fora do País ou outro estado. Respondi que sim e que tinha passado por Recife e Bahia. Aí, ela falou que o Nordeste tinha restrições e que deveria esperar 30 dias.” A jovem desconhecia a nova regra, mas acatou a recomendação. No entanto, achou estranho que a norma não seja a mesma para todos os hemocentros brasileiros. A presidente do Hemocentro de Pernambuco (Hemope), Yêda Maia, confirmou que os centros espalhados por todo o Brasil têm tomado algumas medidas para proteger seus estoques de alguma contaminação. “Eles podem alegar a possibilidade de transmissibilidade e o fato de o número de doadores deles expostos à situação ser pequeno”, comentou. A diretora de Hemoterapia do Hemope, Ana Fausta, contou que a precaução sobre quarentena foi negociada com a Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados (CGSH), ligada ao Ministério da Saúde, diante das especulações sobre a possibilidade de contágio sanguíneo dessas enfermidades, principalmente em áreas onde o vetor Aedes aegypti tem pouca ou nenhuma incidência. Uma nota técnica da CGSH de dezembro de 2015 restringiu a captação nas áreas endêmicas. Antes das restrições dentro do próprio território nacional, centros de controle de doenças dos Estados Unidos e Europa já alertavam sobre necessidades de quarentena de viajantes.
Fonte: Folha de Pernambuco



