Prestes a completar 85 anos de fundação, o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) ainda enfrenta desafios básicos para os cerca dos oito mil filiados: defesa da categoria, das condições de trabalho e da qualidade da saúde no estado. De acordo com o presidente do órgão, Tadeu Calheiros, em visita ao vice-presidente do Diario, Maurício Rands, acompanhado do diretor do Simepe, Assuero Gomes, a qualidade do atendimento à população é proporcional às condições de trabalho dos médicos.
“Um médico que trabalha em condições precárias e com sobrecarga não fará o atendimento como deve ser feito, mas será cobrado para dar respostas imediatas”, afirmou Tadeu Calheiros. A carga de trabalho excessiva e o estresse em alto nível acabam gerando a síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional e emocional.
Entre os sintomas da sobrecarga de trabalho ou estresse estão atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo e baixa autoestima. De acordo com levantamento do Simepe, somente este ano seis médicos se suicidaram. Os casos ainda estão sendo investigados. “O número de suicídios está nos preocupando e precisamos atuar para reduzir os impactos no dia desses profissionais”, afirmou o presidente do Simepe.
Em setembro, o sindicato inicia as negociações para o dissídio dos médicos do estado. A categoria reivindica uma reposição salarial de 20%. “Nós teremos uma reunião com o estado no próximo dia 19 de setembro para tentarmos chegar a um acordo”, revelou Calheiros. Ele ressaltou que a faixa salarial de um médico com 20 horas semanais é de R$ 6 mil. A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) defende um piso de R$ 12 mil. “Nós entendemos a realidade do país e no ano passado suspendemos as manifestações, mas este ano estamos retomando as negociações”, afirmou. Além do serviço público, a entidade também atua nas unidades particulares e filantrópicas.
Outra preocupação é quanto ao aumento das faculdades particulares de medicina sem contrapartida social. Segundo o presidente do Simepe, os alunos das faculdades pagam em média uma mensalidade de R$ 7 mil e o trabalho de campo é feito em hospitais públicos. “Os estudantes de medicina são acompanhados por um médico do serviço público que atua como professor. E não há nenhum tipo de contrapartida social”, ressaltou Tadeu Calheiros.
ANIVERSÁRIO
O Simepe irá completar 85 anos no dia 14 de outubro. Para festejar a data a entidade irá promover um show do grupo Paralamas do Sucesso, no Clube Português. “A entrada será livre para os associados”, ressaltou Tadeu Calheiros. O sindicato também irá lançar uma edição histórica da revista relembrando a trajetória do órgão.




